sexta-feira, 25 de março de 2011

Agrishow terá área de exposição 15% maior este ano
Segundo previsões, a feira deverá pelo menos repetir o R$ 1,15 bilhão de negócios movimentados em 2010
A Agrishow deste ano, que será realizada entre 2 e 6 de maio em Ribeirão Preto, crescerá 15% em área de exposição ante a feira do ano passado. Feira de negócios, focada em produtos e serviços para a agricultura, a Agrishow, que chega a sua 18ª  versão, deverá pelo menos repetir o R$ 1,15 bilhão de negócios movimentados em função da feira de 2010. "Esse montante foi divulgado pelos bancos participantes e tudo indica que será repetido porque a agricultura vai bem", disse nesta quinta-feira (24) José Danhesi, gerente geral da feira, durante a apresentação do evento. Muitos dos negócios feitos na feira utilizam linhas de financiamento a juros baixos, como a BNDES PSI. A taxa era de 5,5% ao ano e, por conta de reajuste anunciado pelo governo, subirá para 6,5% anuais. "A linha continua atrativa porque tem taxa praticamente zero de juro, caso a inflação fique em 6,5% no ano", disse Carlos Nogueira, diretor da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), uma das entidades realizadoras da feira.
 
Paraná: Seab fecha barreiras sanitárias por falta de funcionários
Motivo seria a falta de funcionários; alternativa é realizar fiscalizações volantes
Curitiba - A Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) fechou três barreiras sanitárias no Paraná por falta de funcionários para trabalharem nestes locais. Duas unidades localizadas na divisa com Santa Catarina nas regiões de União da Vitória e de Francisco Beltrão deixaram de funcionar na semana passada. Ontem foi fechada a barreira na região de Jacarezinho, na divisa com São Paulo. Para estes locais, segundo a Secretaria, a alternativa encontrada foi realizar fiscalizações volantes. O problema de falta de médicos veterinários e agrônomos já existia no ano passado e era considerado pelo então secretário de Agricultura, Erikson Camargo Chandoha, como um dos maiores entraves para que o Paraná conseguisse o status de área livre de febre aftosa sem vacinação. Hoje a Seab conta com 270 veterinários e agrônomos, mas seriam necessários pelo menos 600. A Secretaria começou a convocar agora os aprovados em um concurso realizado em 2007 que teve a data de validade prorrogada até 6 de maio. O diretor do Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária (Defis) da Seab, Marco Antonio Teixeira Pinto, disse que foram chamados 194 concursados, mas ainda não há um levantamento de quantos compareceram. Segundo ele, um dos grandes entraves para a contratação é o salário inicial hoje em R$ 2.560 e considerado baixo pela categoria. Nos dias 28 e 29 de março haverá mais uma chamada de concursados. Segundo ele, hoje são 31 barreiras sanitárias. ''Não temos mais pessoal para todas as barreiras'', disse. Por este motivo, foram fechadas três delas. A Secretaria ainda chamou outros 120 técnicos agrícolas para atuarem nestes locais que devem começar a trabalhar até o final de março. ''A Secretaria de Agricultura vem fechando barreiras sanitárias porque não tem gente para trabalhar. As que estão funcionando, operam precariamente por falta de profissionais'', disse o presidente da Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR), Rudmar Luiz Pereira dos Santos.
Andréa Bertoldi
Folha Web

quinta-feira, 24 de março de 2011

Alta do etanol derruba consumo em 40%
O consumidor responde à disparada dos preços do álcool. Na semana passada, as vendas pelas distribuidoras caíram 40% no país, em relação à média semanal de janeiro e fevereiro, de cerca de 160 milhões de litros. Os dados, referentes a 60% do mercado, são do Sindicom (sindicato dos distribuidores de combustíveis). A menor demanda também chegou aos postos de combustíveis. Segundo o presidente do Sincopetro (sindicato dos postos de São Paulo), José Alberto Gouveia, entre 36% e 40% do consumo de etanol passou para a gasolina na última semana. A retração em março ocorre após relativa estabilidade em fevereiro. Em janeiro, as vendas de etanol caíram 26% ante dezembro, mas o menor volume foi insuficiente para equilibrar o mercado. Os preços continuaram a subir em março e o valor médio do litro atingiu R$ 2,07 na semana encerrada no último sábado, alta de 9% ante fevereiro, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo). Do início da entressafra, em novembro, até a semana passada, os preços do álcool subiram 22% no país. Em São Paulo, berço do setor, o consumidor já encontra o litro a R$ 2,30 em alguns postos.
REAÇÃO TARDIA
Nos períodos de entressafra, marcados por queda na oferta de álcool, a demanda historicamente cai. Neste ano, a reação foi mais tardia. Para o consumidor, compensa abastecer com álcool se o seu preço for igual ou inferior a 70% do valor da gasolina. "Na maior parte dos Estados, essa relação foi ultrapassada e o consumo se manteve aquecido, o que surpreendeu", diz Alívio Vaz, presidente do Sindicom. A Unica (associação dos produtores) afirma que o movimento atípico deve-se ao aumento do poder aquisitivo. "Todos erraram em planejamento de demanda. A economia está em outro patamar, e a reação à menor oferta foi, de fato, tardia", diz Antonio de Pádua Rodrigues, diretor da associação. Com a recente queda na demanda, a consultoria Datagro quase dobrou a sua estimativa para os estoques de etanol no prazo de um mês. Agora, a previsão é de 1 bilhão de litros, equivalentes a 20 dias de consumo. No entanto, os preços devem continuar altos até maio. "Os preços só vão voltar com a combinação de redução da demanda e oferta da nova safra", diz Pádua. A partir da segunda quinzena de abril, segundo ele, cerca de 50% a 60% das usinas estarão em produção. O fato é que desde a crise de 2008 houve poucos investimentos em aumento de capacidade e a oferta de álcool não acompanha o ritmo de crescimento da demanda. Na última safra, a oferta aumentou 2,7 bilhões de litros. "Mas isso ficou muito aquém da demanda", diz Pádua. "Não conseguimos responder à velocidade da demanda com a mesma agilidade", completa o secretário de Agroenergia do Ministério da Agricultura, Manoel Bertone.
TATIANA FREITAS
www.folha.com.br

quarta-feira, 23 de março de 2011

Conab faz leilões de milho nesta quarta-feira

Quatro operações de venda direta de estoques públicos negociarão mais de 80 mil toneladas do grão

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, promove, nesta quarta-feira, 24 de março, quatro operações de venda direta de estoques públicos de milho.
Estarão à venda 83,6 mil toneladas do grão produzidas em três estados. Do Mato Grosso, serão 50,3 mil t; de Goiás, 16,7 mil t; e, do Mato Grosso do Sul, 16,5 mil t. A função desse tipo de leilão é regular o abastecimento e o preço dos produtos agrícolas.
Poderão participar dos leilões avicultores, suinocultores, bovinocultores (de leite e de corte), cooperativas de criadores de aves, de suínos e de bovinos (de leite e de corte), indústrias de ração para avicultura, suinocultura e bovinocultura, indústrias de insumo para ração animal e indústrias de alimentação humana à base de milho.

http://www.agricultura.gov.br/
Ana Rita Gondim
Paraná: secretário defende união de esforços para fortalecer a agricultura familiar

A superação das dificuldades enfrentadas pela agricultura familiar no Paraná depende da unificação das agendas das instituições do governo do Estado, do governo federal, dos municípios e das instituições que representam a iniciativa privada e os movimentos sociais. A mensagem defendendo a união de ações é do secretário da Agricultura e presidente do Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar (Cedraf), Norberto Ortigara, que nesta terça-feira (22) presidiu a primeira reunião do conselho. O Cedraf é composto por 33 entidades do governo, iniciativa privada e movimentos sociais, e deverá ganhar mais duas representações com a entrada da Câmara Setorial da Juventude Rural e da Cooperativa Central dos Assentados da Reforma Agrária.

Para Ortigara, o Cedraf é o fórum qualificado para discussões que tem como objetivo o avanço da agricultura familiar. Ele salientou que vai conduzir as ações em nome do Estado, o que é responsabilidade do governo, independente das questões partidárias. Assim como Ortigara, 50% dos integrantes do conselho estavam participando da reunião pela primeira vez, em função do processo de renovação do órgão.
Participaram da reunião o delegado do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) no Paraná, Reni Denardi, o presidente da Associação dos Municípios do Paraná e prefeito de São Jorge do Patrocínio, Claudio Palozi, entre outras lideranças.
A preocupação dos conselheiros é a manutenção da assistência técnica pública nos municípios.

Ortigara lembrou que o governo do Estado autorizou a reposição de quadros da Emater-PR, numa programação de 100 novos técnicos por ano até atingir o limite de funcionários que a legislação permite. Como representante do governo, Ortigara expôs as estratégias que vão favorecer o desenvolvimento da agricultura familiar e o enfrentamento de suas dificuldades no Paraná. Ele destacou a necessidade de levar uma condição de vida melhor para as famílias do campo, proprietários e trabalhadores rurais. Segundo o secretário, haverá mais atenção aos jovens e idosos no campo, por meio de programas de qualificação técnica e geração de renda para complementação de aposentadorias dos idosos. Na questão da infraestrutura, Ortigara anunciou que a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento vai concentrar esforços na readequação de estradas rurais, que ajudam as propriedades a ganhar competitividade. Assumiu o compromisso de constituir cerca de 60 patrulhas rurais por meio de consórcios municipais que irão atuar na readequação de estradas. Outras preocupações do governo que deverão ser enfrentadas para melhorar a competitividade da agricultura familiar são o investimento em transporte por ferrovias e em armazenagem. Ortigara admitiu que atualmente o déficit de armazenagem ultrapassa 10 milhões de toneladas e que a intenção do governo é atrair investimentos para ajudar a conservar e proteger a safra e evitar a armazenagem em caminhões.


No Paraguai, o rei da soja é brasileiro

Com fazendas em 13 dos 17 estados paraguaios, Favero é o maior dos produtores brasiguaios, responsáveis por 90% da soja do país

Corria o ano de 1965 e Tranquilo Favero foi convidado por uma dupla de amigos médicos a fazer um passeio: atravessar a recém-inaugurada Ponte da Amizade, que liga a cidade de Foz do Iguaçu, no Brasil, a Ciudad del Este, no Paraguai. Quando chegou ao país vizinho, ficou encantado com a imensidão de terras boas para o cultivo. “Nasci e me criei na terra, não precisava nem fazer análise para saber que naquele mundo verde que vi do outro lado da fronteira cresceria de tudo”, conta.

Os amigos voltaram da viagem, mas Favero ficou por 60 dias, de olho nas possibilidades que vislumbrava. “Comprei um carro para visitar a região, e comprei as primeiras terras”, diz. Foi um golpe certeiro. Aos 72 anos, modos simples e tereré (bebida típica semelhante a um chimarrão gelado) nas mãos, Favero é conhecido internacionalmente como o rei da soja no Paraguai.

“Os brasileiros podem se orgulhar do crescimento do Paraguai no ano passado”, diz, em seu escritório novinho, na avenida que leva ao aeroporto. O do centro estava ficando pequeno e há pouco a empresa mudou de endereço. Segundo Favero, 80% do crescimento do Paraguai veio da exportação de grãos e carne. Desse porcentual, 90% dos grãos são produzidos pelos “brasiguaios”.

Império da soja

Favero tem nove empresas, todas ligadas ao agronegócio. “Desde pequeno, quando não tinha nada e minha família era pobre, pensava em produzir alimentos”, afirma. “Roupa, sapato, carro são supérfluos, mas até a rainha da Inglaterra tem de comer todo dia.”

Louco por trabalho, diz que tem jornada de 15 horas diárias e é o estraga-prazeres da família quando o assunto é férias. “Quer me castigar, me chama para ir para a praia” afirma, rindo. Seu império tem 40 mil hectares de terras cultivadas, 40 mil cabeças de gado, 1,5 mil funcionários diretos e 5 mil indiretos. Possui terras em 13 dos 17 departamentos (estados) paraguaios.

Os números podem ser pequenos quando comparados ao maior produtor de soja do Brasil, Blairo Maggi, com seus mais de 160 mil hectares de soja. Mas lhe garantem domínio no país vizinho. Para safra paraguaia de 2011, que começa a ser colhida em breve, é esperada a produção de 8 milhões de toneladas. No Brasil, apenas as exportações chegaram a quase 50 milhões de toneladas, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), alta de 5,5% sobre o ano anterior.

“Mas precisa lembrar que o Paraguai é o maior produtor de soja per capita do mundo”, faz questão de frisar Favero. Em suas contas, a produção paraguaia é de cerca de 1,3 tonelada por pessoa. No Brasil, é de 0,3 tonelada. Do total paraguaio, Favero espera produzir 120 mil toneladas. Na safra passada, foram 90 mil toneladas.

De olho na China

Favero, que se diz interessado em ouvir e aprender, tem agora voltado seus olhos para a China. Pretende abrir um pequeno escritório de representação em território chinês este ano e quer uma filial maior naquele país em 2012. Hoje, ele vende para multinacionais. Com a filial na China, pretende eliminar intermediários. "Talvez eu monte também uma empresa no Brasil para exportar carne” diz, sem dar mais detalhes.

Enquanto conversa, Favero fica de olho em uma televisão gigante instalada em seu escritório, ligada todo o tempo no mapa meteorológico do Weather Channel (canal do tempo). Diz: “vai chover bastante esse ano, isso é muito bom”. Durante a entrevista, é interrompido algumas vezes por funcionários ou por um de seus netos, que estava na região de Alto Paraná visitando umas terras. Pergunta se chove, se faz sol, como estão as plantações.

O rei da soja do Paraguai tem três filhas. Todas moram no Brasil e nenhuma seguiu os caminhos do pai. Com ele, trabalham dois dos três netos homens (há mais três mulheres), um deles é economista e, o outro, engenheiro agrônomo. Há pouco parentes em volta porque, diz ele, não é muito bom colocar muita família nos negócios. “Se um funcionário não trabalha direito, posso mandar embora. Agora, se é da família...”

Meu pai nasceu no oceano

A saga de Favero começou na Italia, quando seus avós deixaram um país que passava dificuldades para tentar a sorte em outro lugar. Sua avó estava grávida e seu pai nasceu no navio, três dias antes da chegada a Porto Alegre (RS). O filho Tranquilo nasceu em Videira (SC) e estava na pequena Chupinzinho, no Paraná, quando recebeu o convite para viajar ao Paraguai.

“Naquela época, 10 mil hectares no Paraguai equivaliam a 100 hectares no Paraná”, diz. Ele conta que foi devagar, com medo das ditaduras do país vizinho, de instabilidades. “Conforme o tempo passava, eu via que o bicho não era tão feio.” Foi ficando tão bonito até que Favero vendeu o que tinha no Brasil e se mudou de vez. Naturalizou-se paraguaio há 22 anos.

IG Economia