terça-feira, 19 de abril de 2011

Soja: preços caem com fraca demanda internacional
Dados do Cepea apontam que os preços de soja e derivados no mercado interno têm caído de forma consecutiva, pressionados pela fraca demanda externa. A China, maior importadora mundial de soja, reduziu o ritmo de compras dos Estados Unidos e da América do Sul, além de ter postergado para junho e julho navios que estavam programados para embarcar entre abril e maio. No Brasil, agentes consultados pelo Cepea relatam que, em algumas regiões, como em Mato Grosso do Sul, Goiás e parte de São Paulo, a perda na produção de soja foi grande nesta safra, devido ao elevado volume de chuva no período da colheita. Mesmo assim, segundo pesquisadores do Cepea, a expectativa de produção recorde continua a pressionar os valores no mercado doméstico, uma vez que, em grandes estados produtores, como Paraná e Mato Grosso, não há notícia de perdas. Quanto aos preços, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa para o produto transferido no porto de Paranaguá teve queda de 3,05% entre 8 e 15 de abril, finalizando a US$ 28,95/sc de 60 kg (em moeda nacional, o Indicador teve baixa de 2,8%, finalizando em R$ 45,69/sc, na sexta). O Indicador CEPEA/ESALQ (média de cinco regiões do Paraná) caiu 3,36% na semana, fechando a R$ 43,17/sc na sexta.
(Fonte: Cepea – www.cepea.esalq.usp.br )
Em busca de direcionamento, comercialização segue lenta
 Enquanto o mercado de milho continua em busca de um direcionamento mais claro de preços para o médio prazo, as atenções de agentes se voltam ao desenvolvimento das lavouras de segunda safra e aos elevados patamares dos preços internacionais. Além disso, de acordo com informações do Cepea, produtores estão finalizando a colheita de milho verão. Nesse cenário, as negociações continuam lentas. As cotações entre as praças acompanhadas pelo Cepea seguiram apresentando movimentações distintas nos últimos dias, com demanda e oferta locais prevalecendo como fundamento. Essa dispersão entre as variações deixou agentes cautelosos e preocupados em relação à comercialização do cereal. Quanto aos preços, entre 11 e 18 de abril, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas – SP) cedeu 1,61%, fechando a R$ 29,95/sc de 60 kg na segunda-feira.
(Fonte: Cepea – www.cepea.esalq.usp.br )
Mais 25 frigoríficos brasileiros estão autorizados a exportar carne de aves para China
Após o anúncio na semana passada da abertura do mercado chinês para a carne suína brasileira, com três frigoríficos nacionais autorizados a exportar, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, informou hoje (19) que mais 25 estabelecimentos estão autorizados a vender carne de aves para o país asiático. Com a medida, o Brasil passa a ter 50 plantas habilitadas a exportar para a China. “Não quer dizer que dobrando as plantas frigoríficas, vamos dobrar as exportações. Mas, seguramente, eu posso afirmar que vamos aumentar consideravelmente as exportações nos próximos anos, em grande parte pela ampliação do número de plantas”, disse Rossi. Segundo o secretário de Relações Internacionais do ministério, Célio Porto, a China importa anualmente cerca de US$ 1 bilhão em carne de aves, sendo aproximadamente metade de origem brasileira. O ministro disse ainda que o governo chinês anunciou, durante a visita da presidenta Dilma Rousseff à China, na semana passada, a habilitação de mais cinco plantas frigoríficas de carne bovina brasileira, aumentado para oito a quantidade de frigoríficos autorizadas a vender para aquele mercado. Em relação à carne suína, Rossi disse que a abertura do novo mercado, aumenta o reconhecimento à produção brasileira, e também estimula a venda para os dois principais mercados importadores: Japão e Coreia. “Com a abertura da carne suína, completou-se um ciclo, com todas as carnes autorizadas a entrar no mercado chinês”, concluiu.
Danilo Macedo
Agência Brasil


Sindicato agropecuário considera mudanças no Código Florestal desnecessárias
Para Vicente Almeida, sem apoio do Estado, situação de pequenos agricultores pode piorar
Representantes de entidades ligadas à agricultura familiar e à pesquisa agropecuária afirmaram hoje, em reunião promovida pela Frente Parlamentar Ambientalista e pela Fundação SOS Mata Atlântica, que o atual Código Florestal não prejudica o desenvolvimento agrícola no País. Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário, Vicente Almeida, a atual legislação pode até ser aperfeiçoada. Ele lembrou, no entanto, que atualmente já existem técnicas para fazer uma agricultura sustentável, aproveitando, inclusive, áreas de reserva legal e de preservação permanente. Entre as soluções para desenvolver a agricultura ecológica, Almeida destacou a implementação de um programa de aquisição de mudas e sementes. “É importante que os pequenos agricultores tenham auxílio técnico do Estado para produzir suas sementes. Se a gente perde o controle sobre a produção de sementes, perde também o controle da soberania alimentar”, disse.
Leonardo Prado
Confira matéria completa:
www.camara.gov.br
Inflação é fenômeno global e está relacionada a commodities, diz Mantega
A disparada da inflação é um fenômeno global e provocado fundamentalmente pelo preço das commodities – bens agrícolas e minerais com cotação internacional – e está sendo contida pelo governo, disse ontem (18) o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Em reunião com investidores internacionais em Nova York, ele afirmou que a equipe econômica adotou diversas medidas para frear o aumento de preços. De acordo com a apresentação de Mantega aos investidores, divulgada há pouco pelo ministério, as principais providências adotadas para conter a inflação são o estímulo ao aumento da oferta de alimentos, o corte de cerca de R$ 51 bilhões no Orçamento e o aumento de juros pelo Banco Central (BC). Ele ainda citou as medidas de contenção ao crédito anunciadas pelo BC no fim do ano passado e o aumento de 1,5% para 3% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para o crédito a pessoas físicas.
O ministro afirmou ainda, durante a apresentação, que a inflação de março, que somou 0,79% pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi pressionada pelos combustíveis, que contribuíram com 0,12 ponto percentual, e pelo transporte público, com 0,19 ponto percentual. Os números, no entanto, revelam que o grande responsável pela inflação no mês passado foi a categoria outros fatores, que contribuiu com 0,32 ponto percentual e contém itens influenciados pela demanda. Mantega ressaltou que a equipe econômica ajustou o Brasil ao cenário econômico de 2011, revertendo os estímulos concedidos em 2009 e 2010, aumentando a eficiência dos gastos públicos e assegurando o rigor fiscal. O ministro também mencionou o reajuste do salário mínimo para R$ 545, abaixo dos R$ 560 defendidos pelas centrais sindicais, como medida de austeridade. A reunião com os investidores estrangeiros encerrou a viagem de Mantega aos Estados Unidos. Na semana passada, o ministro da Fazenda esteve em Washington participando do encontro de ministros das Finanças do G20 (grupo das 20 principais economias do planeta) e da reunião de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.
Wellton Máximo
Agência Brasil

Relator do Código Florestal busca consenso para votação do projeto
O relator do Código Florestal, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), disse ontem (18) que mesmo com os feriados da Semana Santa vai continuar em busca de consenso para a votação do projeto "o quanto antes". Segundo ele, é preciso que a lei seja aprovada rapidamente para evitar prejuízos, principalmente, aos pequenos produtores. “Teremos uma semana de negociação em torno da busca de uma solução de consenso para o debate”. De acordo com Aldo Rebelo, onde o acordo não for possível, a decisão sairá no voto em plenário. Rebelo informou que todos os ministérios envolvidos na discussão do tema, assim como setores da bancadas ruralista e ambiental têm demonstrando “boa vontade” para buscar o consenso.“É importante ressaltar que, hoje, pela atual legislação, 100% dos agricultores estão na ilegalidade. O país não pode viver nessa situação, que foi adiada por um decreto do presidente Lula que expira em junho”, disse o relator à Agência Brasil.
Em relação aos pequenos agricultores, Aldo Rebelo disse que eles são os mais vulneráveis à legislação e essa é uma das razões pelas quais a proposta precisa ser aprovada logo, antes do fim da vigência do decreto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “No Nordeste, por exemplo, mais da metade das propriedades têm até cinco hectares, e quase nada de reserva legal e área de preservação permanente. São áreas que foram desmatadas há muitos anos e, agora, querem exigir que sejam replantadas. Isto é condenar esses pequenos a perderem suas propriedades e incharem a periferia das grandes cidades”. Com relação aos médios e grandes produtores rurais, o relator informou que o código mantém a obrigação da reserva legal e da área de preservação permanente. “Significa que os produtores médios e grandes da Amazônia terão que manter 80% de reserva legal, os produtores do cerrado 35%, e, nas demais áreas do país, 20%. No caso da Amazônia a ocupação vai exigir que os 80% de reserva legal incluam todas as áreas de proteção permanente de rio, topo de morro e encostas previstas em lei”.
Iolando Lourenço e Ivan Richard
Repórteres da Agência Brasil