quarta-feira, 20 de abril de 2011

Com clima favorável e bons preços, produtores de laranja garantem venda antecipada da safra
Cerca de 75% da safra de laranja que ainda será colhida já estão negociados, afirmou hoje o presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Citricultura, Marco Antônio dos Santos. O levantamento oficial da produção será anunciado pelo ministro da Agricultura, Wagner Rossi, no dia 2 de maio, em Ribeirão Preto, durante a 18ª Agrishow, uma das maiores feiras do agronegócio brasileiro. “Graças ao clima e aos bons preços na safra passada, teremos um aumento significativo [da produção]”, afirmou Santos. Na safra 2009/2010, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), foram colhidas 297,5 milhões de caixas de 40,8 quilos no estado de São Paulo, responsável por 90% da produção comercial do país.
O presidente da câmara da citricultura ressaltou que, agora, com a abertura dos dados das indústrias do setor, o próximo levantamento será mais confiável. “É o começo de um novo caminho. Esse número poderá se refletir no mercado internacional”, afirmou. O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de laranja. Santos disse que as vendas em mercados futuros têm cotações muito diferentes para o valor da caixa de laranja, a partir de R$ 6 nos contratos mais antigos, atrelados ao dólar, até R$ 15 para os assinados no ano passado. O preço médio de custo, segundo ele, gira em torno de R$ 10. Uma das preocupações dos produtores é o processo de fusão de indústrias, que diminui a concorrência e facilita a formação de cartéis.
Danilo Macedo
Agência Brasil

A ciência e o Código Florestal
Por Reinhold Stephanes*
Reclamo, há tempos, que faltam ciência e racionalidade ao debate sobre o Código Florestal. Porém, não me iludo de que os argumentos racionais sempre prevalecem na defesa de um ideal. O meio ambiente é uma causa capaz de mobilizar seguidores, que, de tão bem-intencionados, repudiam qualquer mudança, mesmo em áreas que sequer conhecem a realidade. E quem tenta apontar alternativas é visto como inimigo da natureza, o que deixa em segundo plano os reais motivos para revisar a legislação. Esse lapso ficou claro no seminário da Frente Parlamentar Ambientalista, da qual participo, com membros da SBPC e da Esalq.
Sob a aprovação do público, técnicos defenderam três teses, com as quais há consenso: o Código Florestal de 1934 e o de 1965 foram feitos com base na ciência; a agricultura deve crescer por produtividade e sem avançar em novas áreas; e, antes de desmatar, áreas degradadas devem ser recuperadas. Portanto, o seminário nenhuma novidade trouxe ao debate, embora a discussão seja oportuna já que votaremos o projeto que altera o atual Código. E isso vai ocorrer para simplificar uma legislação com mais de 16 mil itens e longe de ser aquela definida pelos especialistas em 1965. Na verdade, 80% das normas tiveram mudanças profundas de conceito, principalmente, por meio de Medida Provisória, em 2001, que deixou de fora do processo produtores, Ministério da Agricultura e cientistas. Desde os códigos de 1934 e 1965, houve novidades expressivas na ciência agrícola, entre elas a descoberta da fixação biológica de nitrogênio e o plantio direto na palha.
O primeiro permitiu alimentos mais baratos e saudáveis e valeu a indicação aos prêmios Nobel da Paz e de Química, em 1997, da pesquisadora da Embrapa Johanna Döbereiner, que aperfeiçoou o processo. O segundo chegou ao Brasil nos anos 1970, sendo eficiente no controle da erosão, reduzindo custos e aumentando a produtividade. Ambos se aliam a outras técnicas modernas difundidas pela Embrapa, 17 unidades estaduais de pesquisa e instituições afins. A prova incontestável do avanço da ciência agrícola está nos números, conhecidos por líderes e dirigentes do setor: a produção vem crescendo 3% ao ano, por aumento de produtividade e sem expansão da área de plantio. Além disso, nos últimos dez anos, somos o País que mais cresce em eficiência. Também a recuperação de áreas degradadas já é realidade no campo e na Embrapa, sendo orientação de governo, com financiamento aos produtores.
A questão concreta que o seminário ignorou é o que acontecerá, em três meses, quando se tornar inviável um milhão de pequenas e médias propriedades, em áreas consolidadas há décadas, por cumprir uma legislação elaborada sem critérios técnicos? Quando for proibido o plantio em encostas e morros, o que será feito com as plantações de maçã em São Joaquim (SC); com cafezais em Minas Gerais e no Espírito Santo; e com os vinhedos e arrozais do Rio Grande do Sul? Como retirar dos agricultores o direito de produzir e até viver nessas regiões? E como isso vai afetar o bolso dos trabalhadores?
Essas são questões práticas que se colocam. O debate sobre o Código tem que caminhar na direção de encontrar amparo legal para mantermos, de forma sustentável, a produção de alimentos que abastece o País e mais de 180 mercados fora daqui. Não podemos deixar prevalecer posições ideológicas e doutrinárias, afetadas pelo preconceito contra o campo daqueles que sequer conhecem o meio ambiente que defendem. Estou certo de que há ciência disponível para equilibrar o desejo de ambos os lados.
Reinhold Stephanes é Deputado federal pelo PMDB/PR e ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.  

terça-feira, 19 de abril de 2011

Investimentos chineses no Brasil deverão aumentar
Viagem à China contribui para a possibilidade de empreendimentos em conjuntos e troca de experiências na área técnica
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Rossi, apresentou os resultados da missão à China, em entrevista coletiva nesta terça-feira, 19 de abril. O ministrou anunciou uma série de investimentos e de acordos de cooperação técnica que poderão ser assinados pelos dois países em breve. Rossi disse que os encontros realizados durante a viagem demonstram o interesse do empresariado chinês de participar de projetos na infraestrutura do Brasil, principalmente nas áreas portuária, ferroviária, hidroviária e intermodal de transportes. “O Brasil tem todo o interesse em parcerias no setor de produção e de comercialização de produtos agrícolas.
Queremos abrir novas possibilidades para receber empresários interessados concretamente em áreas da agricultura brasileira”, afirma. Segundo o ministro, existem muitas formas de cooperação entre Brasil e China na área de agricultura. As principais são os investimentos diretos em iniciativas de logística e os negócios com pagamento em produtos, que permitem aos grandes compradores chineses de alimentos fazer contratos com empresas e produtores brasileiros. Outra possibilidade é a captação de recursos por meio de mercados de capitais – ações e fundos de investimento – e formação de joint ventures, em que empresas brasileiras e chinesas podem se associar com o capital nacional para projetos no Brasil. “O melhor exemplo disso são os empreendimentos chineses em Goiás e no oeste da Bahia, onde está sendo implantando um complexo de esmagamento de soja que vai gerar uma repercussão muito importante. Vamos exportar um produto com maior valor agregado para a China, que receberá o produto pronto”, destaca.
Cooperação técnica mais próxima
De acordo com Rossi, a possibilidade de parcerias em projetos de pesquisa ficou ainda mais próxima com a instalação de um laboratório virtual da Embrapa (Labex), em Pequim. O ministro informou que já existem áreas de cooperação estabelecidas entre os dois países nas áreas de minério e petróleo, por exemplo –, mas afirmou que o Brasil pretende estender as trocas para outros setores da agricultura, como a genética de plantas. A pecuária é outro segmento que vem despertando o interesse dos chineses, principalmente, em relação à exportação de sêmen e embriões de bovinos brasileiros. O Brasil é referência mundial em biotecnologia de reprodução bovina e ofereceu cooperação técnica para desenvolvimento de raças zebuínas no país asiático.
Marcos Giesteira
www.agricultura.gov.br



Mercado de etanol deve se autorregular
O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Cesário Ramalho, defendeu a liberdade de mercado ao criticar a possibilidade de o governo taxar as exportações de açúcar e regular a cadeia do etanol para evitar oscilações bruscas no preço do produto. "Acreditamos que esse mercado se autorregula", comentou Ramalho, acrescentando que a indústria sucroalcooleira sente reflexos de uma baixa na produção de cana-de-açúcar devido a fatores climáticos, além de mudanças nos controles acionários de algumas empresas importantes."É ingrato o governo taxar o açúcar", disse o presidente da Rural durante apresentação à imprensa da Agrishow, feira de tecnologia agrícola que será realizada em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, entre os dias 2 e 6 de maio.
Ramalho disse que já enviou uma carta ao governo manifestando a posição contrária da entidade a "toda e qualquer taxação", ou aumento de impostos. "Imposto é inibidor do desenvolvimento e investimento", disse a jornalistas.Ele também criticou as dificuldades enfrentadas por alguns produtores na obtenção de licenças ambientais, o que, segundo ele, está prejudicando investimentos em projetos que já contam com linha de crédito.
Valor Econômico
Área de plantio no Brasil precisa crescer 28%
Para atender a demanda nacional e internacional do mercado de commodities agrícolas nos próximos dez anos, o Brasil precisará expandir sua área plantada em pelo menos 11,2 milhões de hectares. Para financiar a aquisição de terras, formação das lavouras e implantação da infraestrutura básica serão necessários recursos da ordem de R$ 93,5 bilhões, segundo estudo conjunto realizado pela Agroconsult e pela MB Agro. As consultorias estimam que 5,5 milhões de hectares da área total projetada serão destinados às culturas de soja, milho e algodão, que consumirão R$ 31,2 bilhões. A cana-de-açúcar adicionará à sua área outros 3,1 milhões de hectares. Devem ser necessários R$ 43,8 bilhões para a compra das áreas e para a formação dos canaviais - o valor não leva em conta a construção de novas usinas. Para o segmento de florestas plantadas, serão outros 2,6 milhões de hectares, com investimento de R$ 18,5 bilhões. "Dos recursos necessários para expandir a área nos próximos dez anos pelo menos metade teria que vir de investidores estrangeiros. O capital nacional não seria suficiente para promover esse crescimento no prazo de uma década", afirma André Pessôa, sócio-diretor da Agroconsult. O consultor observa que nos últimos 30 anos, sem uma presença marcante de recursos estrangeiros, a área agrícola no Brasil passou dos 34 milhões de hectares em 1980 para os atuais 39 milhões de hectares.

A expansão da área plantada no Brasil via capital estrangeiro, no entanto, ainda está limitada pele Advocacia Geral da União (AGU). Em agosto do ano passado, um parecer da entidade impôs restrições a aquisições e arrendamentos de terras por empresas brasileiras que tenham sócios estrangeiros com participação superior a 51% em seu capital social. "Estimamos que devido ao parecer da AGU, desde agosto do ano passado cerca de US$ 15 bilhões deixaram de entrar no país", diz Pessôa. O estudo feito pelas consultorias foi encomendado pela Associação Brasileira de Marketing Rural&Agronegócio (ABMR&A) para medir o impacto econômico que o parecer da AGU pode ter sobre o setor nos próximos anos. "Ainda estamos analisando as informações, mas os dados servirão de subsídios para medidas que poderão ser tomadas por nossos associados futuramente", afirma Maurício Mendes, presidente da (ABMR&A). Mais do que simplesmente a aquisição e arrendamentos de terras por estrangeiros, o parecer da AGU vai além. Bancos e tradings estrangeiras que concedem empréstimos aos agricultores, por exemplo, costumam pegar como garantia exatamente as propriedades e estão sendo diretamente impactados pelo parecer da AGU. "Se essas empresas não podem mais passar as terras para seus respectivos nomes, elas terão que aumentar as exigências, pegar outras garantias ou mesmo deixar de conceder empréstimos para clientes do setor agrícolas", afirma Pessôa.

Fonte: Valor Econômico

MT exporta a melhor soja do mundo, destaca executivo chinês
“A melhor soja do mundo é produzida em Mato Grosso”, destacou Lin Tan, presidente executivo da empresa chinesa Hopefull & Holding Corp Ltda, na palestra realizada em Alto Taquari nesta segunda-feira (18-04) durante o Circuito Aprosoja 2011. Segundo Lin, o teor de óleo da soja matogrossense chega a dar 20% contra a média mundial de 18% e o valor protéico atinge 36%, contra 34% da média mundial. Para ele, isso pode ser atribuído às excelentes condições climáticas da região, à técnica de plantio utilizada e a extensa experiência dos produtores do estado. Tiago Mattosinho, superintendente do Sistema Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), vinculado ao Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), que é realizador do evento junto com a Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja), destacou em sua apresentação a importância da mão de obra qualificada no campo. Para o Senar, só assim será possível manter a liderança na produção de soja. “Estamos dispostos a levar treinamento em toda pequena comunidade que tenha profissional rural para ser formado, mas também precisamos que o produtor colabore conosco estimulando seus funcionários a participarem”, ressaltou Mattosinho.
Discussões como estas são temas tratados pelo 6º Circuito Aprosoja. Para o presidente do Sindicato Rural de Alto Taquari, Luiz Sperandio, esta troca de informações é essencial para que os produtores da região tomem suas decisões sintonizados com o que está acontecendo no mundo. “A importância do Circuito está na troca de experiência e de informações e também quanto à questão de comercialização do mercado chinês, que hoje é um dos mais importantes dentro do setor agrícola”, comenta Sperandio. Mais de 40 produtores de soja participaram do evento onde também falaram o assessor da chefia geral da Embrapa Soja em Londrina/PR, Pedro Moreira, o analista econômico da Consultoria Safras & Mercado, Paulo Molinari, e membros da Aprosoja. Além disso, estiveram presentes o secretário estadual da Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Familiar, José Domingos, o presidente da Câmara Municipal de Vereadores, Ariovaldo José Brocaneli, o secretário de Indústria, Comércio e Turismo e presidente da Associação Comercial de Alto Taquari, Erocy Scaini e outras autoridades locais.
CIRCUITO - O Circuito Aprosoja 2011 foi lançado no dia14 de abril, em Cuiabá. E até o dia 26 de maio irá percorrer 19 municípios em Mato Grosso. Rondonópolis e Alto Taquari já receberam as palestras que seguem agora para Campo Novo do Parecis, Campos de Júlio, Sapezal, Tangará da Serra, Diamantino, Tapurah, Vera, Sinop, Nova Mutum, Sorriso, Querência, Gaúcha do Norte, Canarana, Nova Xavantina e Lucas do Rio Verde. Além disso, visita outros estados do país pela primeira vez: Dourados/MS, Cascavel/PR, Santo Ângelo/RS, Rio Verde em Goiás/GO e Luís Eduardo Magalhães/BA.
As informações são da assessoria de imprensa da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja).