quarta-feira, 20 de abril de 2011

Trigo: preços de derivados não seguem aumento do grão
Apesar de as cotações do trigo em grão estarem mais altas neste período de entressafra no Brasil em relação ao ano passado, no mercado de derivados, os preços estão iguais ou mesmo menores, em termos nominais, segundo dados do Cepea. Porém, boa parte dos vendedores consultados pelo Cepea afirma que os valores ainda precisam subir para equilibrar os custos de produção. Desde o início do ano, de acordo com levantamentos do Cepea, o preço médio nominal do trigo no mercado de lotes (negociação entre empresa), no Rio Grande do Sul, teve alta de 11% e, no Paraná, de 10,3%. Já a farinha do tipo panificação, por exemplo, na média das cinco regiões pesquisadas pelo Cepea, teve queda de 1,28% no mesmo período.
(Fonte: Cepea – www.cepea.esalq.usp.br )

Abertura do mercado chinês para carne suína é comemorada por suinocultores brasileiros
Após cinco anos de negociações, o Brasil obteve recentemente a abertura do mercado chinês para exportação de carne suína com a habilitação de três unidades frigoríficas nacionais. Empolgados com a notícia os suinocultores esperam que os embarques brasileiros para aquele país respondam em três anos por metade de todas as importações de carne suína da China - atualmente em 400 mil toneladas e volume de negócios que superam os US$ 1 bilhão.  
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), a China é o maior consumidor mundial de carne suína com volume de consumo per capita equivalente a 37 quilos por habitante/ano, o que somado equivaleu a 50 milhões de toneladas do produto em 2010.

Leia matéria completa no site:
www.portaldoagronegocio.com.br

Campanha de vacinação contra febre aftosa começa dia 1º de maio no PR
No Paraná, a primeira etapa da campanha estadual de vacinação contra febre aftosa de 2011 vai acontecer entre os dias 1º a 31 de maio. De acordo com a estratégia que vem sendo adotada desde 2009, nesta etapa serão vacinados apenas os animais bovinos e bubalinos de 0 a 24 meses. A expectativa é vacinar 4,3 milhões de animais, que corresponde quase a metade do rebanho existente no Estado, estimado em 9,2 milhões de cabeças. O lançamento da campanha vai ocorrer no dia 30 de abril, na propriedade do produtor Marcos Epp, na região de Witmarsum - entre Curitiba e Ponta Grossa - com a presença do governador Beto Richa e do secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara.
De acordo com o secretário, a expectativa é vacinar 100% dos bovinos e bubalinos que se enquadram na faixa etária prevista para essa fase da campanha, inclusive os bezerros com poucos dias de vida. Ortigara diz que para isso espera contar com a colaboração de todos os produtores para que não deixem de vacinar seus animais.O coordenador da Área de Febre Aftosa na Secretaria da Agricultura, Walter Ribeirete, alerta os produtores para a obrigatoriedade da vacinação e de sua comprovação além da atualização do cadastro. Todo produtor que possui bovídeos deve atualizar seu cadastro na Secretaria, mesmo aqueles que não têm animais abaixo de 24 meses a serem vacinados. “A ausência de comprovação e de atualização do rebanho impede a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), documento necessário para o transporte de animais”, explicou.
O Paraná é considerado como área livre de febre aftosa, com vacinação, desde 2000, quando foi reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Estão nessa mesma condição sanitária outros 14 Estados, o Distrito Federal e a região Centro-Sul do Pará.
PREVENÇÃO - De acordo com a Secretaria, a forma mais eficiente e barata de prevenir a febre aftosa é com a vacinação. Por isso, ela é obrigatória assim como a comprovação do rebanho. A previsão é que o produtor pague aproximadamente R$ 1,50 a dose de vacina. Se não vacinar ou não comprovar poderá ser multado em R$ 96,09 por cabeça além de não poder transportar seus animais para qualquer finalidade. A comprovação deverá ser feita até o dia 31 de maio.

Outra forma de prevenção é o controle do trânsito de animais exercido pelo Departamento de Fiscalização e Sanidade Agropecuária (Defis). Por meio da fiscalização, a Secretaria da Agricultura quer impedir o trânsito de animais que estejam irregulares com as normas sanitárias.
A DOENÇA - A febre aftosa é uma doença causada por vírus que atinge animais bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos e suínos. Entre os sintomas, provoca febre, feridas (aftas) na boca e nos cascos, dificultando a alimentação e movimentação dos animais, o que leva a uma rápida perda de peso e queda na produção de leite. Além disso a doença é altamente transmissível entre os animais. Em função desses fatores a febre aftosa provoca sérios prejuízos aos produtores com a rejeição da carne bovina pelo mercado internacional, principalmente nos países já reconhecidos como áreas livres de febre aftosa.

Preço do trigo no Brasil não estimula plantio da safra
Apesar da alta no mercado internacional, no PR a área deve diminuir. Boa parte do trigo colhido em 2010 ainda está armazenada.

Do Globo Rural - Na propriedade de Alberto Heinemann, no norte do Paraná, o plantio está começando. Este ano ele vai semear 130 hectares, a mesma área de 2010. Apesar do preço baixo da saca no mercado, Alberto decidiu novamente apostar na cultura pensando na indústria de panificação e porque quase todo mundo preferiu investir no milho. O agricultor Odair Favali também é produtor de trigo. O plantio está previsto para começar ainda esta semana, mas ele está desanimado com a cultura e já decidiu: reduzirá em 70% a área de trigo. Preços e dificuldades na comercialização estão desestimulando o plantio de trigo no estado. Segundo a Secretaria de Agricultura do Paraná, a área cultivada será pelo menos 11% menor.
O desânimo do agricultor com a cultura nesta safra é reflexo da situação vivida no ano passado. Boa parte do trigo colhido ainda está armazenada em algumas cooperativas. Os moinhos importaram e muitos agricultores não autorizaram a venda porque ainda esperam por uma reação nos preços. A Secretaria de Agricultura do estado divulgou que a expectativa de área prevista de plantio deverá atingir um milhão de hectares, mas até agora apenas 5% foram cultivados. Para Carlos Roberto Riede, agrônomo do Iapar, Instituto Agronômico do Paraná, o plantio está um pouco atrasado, mas os produtores ainda estão dentro da janela de semeadura.
G1 - Globo

Com clima favorável e bons preços, produtores de laranja garantem venda antecipada da safra
Cerca de 75% da safra de laranja que ainda será colhida já estão negociados, afirmou hoje o presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Citricultura, Marco Antônio dos Santos. O levantamento oficial da produção será anunciado pelo ministro da Agricultura, Wagner Rossi, no dia 2 de maio, em Ribeirão Preto, durante a 18ª Agrishow, uma das maiores feiras do agronegócio brasileiro. “Graças ao clima e aos bons preços na safra passada, teremos um aumento significativo [da produção]”, afirmou Santos. Na safra 2009/2010, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), foram colhidas 297,5 milhões de caixas de 40,8 quilos no estado de São Paulo, responsável por 90% da produção comercial do país.
O presidente da câmara da citricultura ressaltou que, agora, com a abertura dos dados das indústrias do setor, o próximo levantamento será mais confiável. “É o começo de um novo caminho. Esse número poderá se refletir no mercado internacional”, afirmou. O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de laranja. Santos disse que as vendas em mercados futuros têm cotações muito diferentes para o valor da caixa de laranja, a partir de R$ 6 nos contratos mais antigos, atrelados ao dólar, até R$ 15 para os assinados no ano passado. O preço médio de custo, segundo ele, gira em torno de R$ 10. Uma das preocupações dos produtores é o processo de fusão de indústrias, que diminui a concorrência e facilita a formação de cartéis.
Danilo Macedo
Agência Brasil

A ciência e o Código Florestal
Por Reinhold Stephanes*
Reclamo, há tempos, que faltam ciência e racionalidade ao debate sobre o Código Florestal. Porém, não me iludo de que os argumentos racionais sempre prevalecem na defesa de um ideal. O meio ambiente é uma causa capaz de mobilizar seguidores, que, de tão bem-intencionados, repudiam qualquer mudança, mesmo em áreas que sequer conhecem a realidade. E quem tenta apontar alternativas é visto como inimigo da natureza, o que deixa em segundo plano os reais motivos para revisar a legislação. Esse lapso ficou claro no seminário da Frente Parlamentar Ambientalista, da qual participo, com membros da SBPC e da Esalq.
Sob a aprovação do público, técnicos defenderam três teses, com as quais há consenso: o Código Florestal de 1934 e o de 1965 foram feitos com base na ciência; a agricultura deve crescer por produtividade e sem avançar em novas áreas; e, antes de desmatar, áreas degradadas devem ser recuperadas. Portanto, o seminário nenhuma novidade trouxe ao debate, embora a discussão seja oportuna já que votaremos o projeto que altera o atual Código. E isso vai ocorrer para simplificar uma legislação com mais de 16 mil itens e longe de ser aquela definida pelos especialistas em 1965. Na verdade, 80% das normas tiveram mudanças profundas de conceito, principalmente, por meio de Medida Provisória, em 2001, que deixou de fora do processo produtores, Ministério da Agricultura e cientistas. Desde os códigos de 1934 e 1965, houve novidades expressivas na ciência agrícola, entre elas a descoberta da fixação biológica de nitrogênio e o plantio direto na palha.
O primeiro permitiu alimentos mais baratos e saudáveis e valeu a indicação aos prêmios Nobel da Paz e de Química, em 1997, da pesquisadora da Embrapa Johanna Döbereiner, que aperfeiçoou o processo. O segundo chegou ao Brasil nos anos 1970, sendo eficiente no controle da erosão, reduzindo custos e aumentando a produtividade. Ambos se aliam a outras técnicas modernas difundidas pela Embrapa, 17 unidades estaduais de pesquisa e instituições afins. A prova incontestável do avanço da ciência agrícola está nos números, conhecidos por líderes e dirigentes do setor: a produção vem crescendo 3% ao ano, por aumento de produtividade e sem expansão da área de plantio. Além disso, nos últimos dez anos, somos o País que mais cresce em eficiência. Também a recuperação de áreas degradadas já é realidade no campo e na Embrapa, sendo orientação de governo, com financiamento aos produtores.
A questão concreta que o seminário ignorou é o que acontecerá, em três meses, quando se tornar inviável um milhão de pequenas e médias propriedades, em áreas consolidadas há décadas, por cumprir uma legislação elaborada sem critérios técnicos? Quando for proibido o plantio em encostas e morros, o que será feito com as plantações de maçã em São Joaquim (SC); com cafezais em Minas Gerais e no Espírito Santo; e com os vinhedos e arrozais do Rio Grande do Sul? Como retirar dos agricultores o direito de produzir e até viver nessas regiões? E como isso vai afetar o bolso dos trabalhadores?
Essas são questões práticas que se colocam. O debate sobre o Código tem que caminhar na direção de encontrar amparo legal para mantermos, de forma sustentável, a produção de alimentos que abastece o País e mais de 180 mercados fora daqui. Não podemos deixar prevalecer posições ideológicas e doutrinárias, afetadas pelo preconceito contra o campo daqueles que sequer conhecem o meio ambiente que defendem. Estou certo de que há ciência disponível para equilibrar o desejo de ambos os lados.
Reinhold Stephanes é Deputado federal pelo PMDB/PR e ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.