segunda-feira, 16 de maio de 2011

Efeito "palhiativo"
Além de contribuir para a diminuição da erosão, a manutenção da palha da cana-de-açúcar na superfície de plantações que adotam o sistema de colheita mecanizada – a chamada cana crua ou verde – contribui significativamente para a redução das emissões de carbono do solo para a atmosfera na forma de gás carbônico. A descoberta, feita por pesquisadores da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Jaboticabal, foi apresentada no Workshop do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG). O evento, que ocorreu nos dias 11 e 12 de maio, foi destinado aos coordenadores, pesquisadores principais, colaboradores associados e estudantes de cada um dos 17 projetos atualmente apoiados pelo PFPMCG e equipes de projetos apoiados pelos programas FAPESP-BIOEN e BIOTA-FAPESP.
Por meio do projeto de pesquisa “Impact of management practices on soil CO2 emission in sugarcane production areas, southern Brazil”, apoiado pela FAPESP, os pesquisadores da Unesp realizaram entre 2008 e 2010 quatro estudos de campo em lavouras de cana-de-açúcar, após a colheita mecanizada e por queimada na região de Jaboticabal, para entender melhor o balanço de emissões de gases de efeito estufa em áreas de plantação canavieira. Os estudos de campo e os testes em laboratório com amostras de solo demonstraram que os valores médios de emissão de carbono do solo de áreas cuja colheita da cana foi realizada pelo sistema mecanizado foram significativamente menores do que aqueles onde a cultura foi colhida pelo sistema de queima, em que se elimina a palha.
Em um experimento realizado ao longo de 50 dias em uma plantação que foi dividida em três áreas – sendo uma coberta por 50% de palha, a segunda por 100% do resíduo e a terceira sem palha –, os pesquisadores observaram que as áreas cobertas por palha emitiram 400 quilos a menos de carbono (correspondente a quase 1,5 mil quilos de gás carbônico) do que as áreas onde a palha foi retirada. “A retirada da palha da superfície de plantações de cana-de-açúcar causa emissões adicionais de carbono bastante significativas. Em um agrossistema que emite, no total, 3 mil quilos de dióxido de carbono, o aumento de mais 1,5 mil quilos do gás pela simples retirada da palha representa muito, e o solo seria a maior fonte de emissão”, disse o professor da Unesp e coordenador do projeto, Newton la Scala Júnior, à Agência FAPESP.
Segundo ele, uma das hipóteses para explicar por que a palha da cana-de-açúcar contribui para diminuir as emissões e reter o carbono do solo é que sua presença interfere nos ciclos de temperatura e umidade. Isso faz com que a temperatura no interior do solo caia e a umidade aumente, diminuindo a oxigenação e a matéria orgânica no interior do solo. Consequentemente, a umidade, a temperatura e as emissões de carbono em solos cobertos por palha costumam ser mais uniformes, enquanto nos solos sem palha as emissões variam mais, conforme demonstrou o experimento em campo. No experimento, a plantação de cana-de-açúcar foi dividida em três áreas com diferentes níveis de cobertura de palha e foram espalhados anéis de PVC em diferentes pontos para medir as emissões. “Nas áreas de cana crua, onde havia palha sobre a superfície, o solo apresentou uma clara uniformidade de emissão de carbono. Já nas áreas de cana queimada foi observada maior variabilidade nos índices de emissão”, disse Scala.
De acordo com o pesquisador, era sabido que preparo do solo para o plantio da cana-de-açúcar, em que se faz uma intensa aração do terreno onde a cultivar será plantada, acelera muito as emissões de carbono do solo para a atmosfera. Mas não se sabia que a simples remoção da palha da superfície do solo também provocava emissões tão altas quanto as induzidas pelo preparo. “No início do projeto, não achávamos que a magnitude da emissão seria tão grande”, disse Scala. Em plantações de cana-de-açúcar em que a colheita é feita da maneira mecanizada, de acordo com cálculos do pesquisador, a produção de palha pode chegar a 15 toneladas por hectare.
Algumas das alternativas de uso desse resíduo do cultivo da cana que estão sendo estudadas são utilizá-lo para produzir energia, usá-lo como matéria-prima para o etanol de segunda geração ou na alimentação animal. Mas, para os pesquisadores, a melhor utilidade seria mantê-lo mesmo sobre a superfície do solo dos canaviais, devido aos seus impactos no balanço geral de emissão de gases de efeito estufa no agrossistema canavieiro. “É preciso tomar um certo cuidado com a remoção da palha porque, definitivamente, ela pode causar emissões adicionais de carbono do solo. E isso é algo que nos preocupa bastante”, disse.
Por Elton Alisson
Agência Fapesp

Agrotóxico genérico visa produtos chineses
São Paulo - As gigantes do setor de agroquímicos no Brasil ganharam um importante aliado na briga contra a chegada dos agrotóxicos genéricos ilegais ao País, principalmente os oriundos da China. O projeto de lei do senado aprovado na última quinta-feira (12), PLS 190/2010, que estabelece regras para o registro dos agrotóxicos genéricos, sua fabricação e comercialização no Brasil, atende a uma reivindicação do setor na briga desigual com os produtos importados, que chegam ao País com preços até 60% mais baixos. De acordo com a Associação Brasileira dos Defensivos Genéricos (Aenda), o projeto, que precisa ser aprovado pelo plenário do Senado e pela Câmara dos Deputados, reproduz o Decreto-Lei n. 4074/2002 e vem regulamentar a comercialização dos produtos pelas empresas estrangeiras que atuam no Brasil.
Nos últimos anos, segundo a Aenda, as indústrias agroquímicas passaram a oferecer no mercado nacional agrotóxicos genéricos com preços de 20% a 30% mais baixos. Mesmo assim os valores são maiores, o que faz com que a disputa com os chineses seja desigual. A Aenda, em nota, afirmou que toda discussão que envolve os agrotóxicos genéricos não altera de forma significativa o cenário atual pois não inclui alterações no tempo para a emissão de certificação para se produzir os produtos genéricos no País. "Hoje uma empresa no Brasil precisa esperar cerca de 38 meses para receber o certificado de um produto; nos Estados Unidos o tempo se limita a cerca de três semanas, e isso reduz a nossa capacidade de concorrer com os importados chineses". A importação de agrotóxicos originárias da China passou de 2.109 toneladas em 2001 para 32.911 toneladas no ano passado.
Daniel Popov
DCI - Diário do Comércio & Indústria

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Votação do Código Florestal pode ser adiada de novo, afirma Cesário Ramalho
Presidente da SRB fala também em um acordo para impedir votação
Prevista para a próxima terça, dia 17, a votação da reforma o Código Florestal na Câmara dos Deputados pode não ocorrer. A possibilidade é considerada pelo presidente da Sociedade Rural Brasileira, Cesário Ramalho. Segundo ele, a ausência do presidente da Câmara, Marco Maia, com viagem ao Exterior prevista para a semana que vem, pode ser um fator determinante para um novo adiamento. Ramalho afirmou ainda ser praticamente impossível o novo Código Florestal ser publicado antes do dia 11 de junho, quando entra em vigor o decreto que regulamenta a Lei de Crimes Ambientais. Segundo lideranças do setor, 90% da produção agrícola do país estaria comprometida caso a regulamentação passe a vigorar.
– É quase impossível antes de 11 de junho. O que vai haver é uma extensão, uma prorrogação desse decreto que segurou a vigência de uma lei que é impossível de ser posta em vigor – afirmou o presidente da SRB em entrevista ao Rural Meio-Dia.
Acordo
Sobre o resultado das sessões desta quarta, dia 11, Cesário Ramalho insinuou que houve um acordo entre a ex-senadora Marina Silva e o ministro-chefe da Casa Civil, Antônio Palocci, para impedir a votação do novo Código Florestal.
– O Palocci deve ter feito um acordo com a Marina para melar isso. A gente não tem certeza – disse Ramalho, sem, contudo, afirmar que tipo de acordo seria esse.
CANAL RURAL
Normas para produção de agrotóxico genérico são aprovadas
Equivalência entre produtos deve ser feita através de regulamento específico
Proposta que regulamenta a produção de agrotóxicos genéricos foi aprovada nesta quinta, dia 12 pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) e segue para a Câmara, caso não haja recurso para votação em Plenário. Para o relator, senador Waldemir Moka (PMDB-MS), a oferta desses produtos reduzirá os custos de produção e fortalecerá a competitividade da agricultura brasileira. O projeto (PLS 190/2010), de autoria do então senador Heráclito Fortes, inclui na Lei dos Agrotóxicos (Lei 7.802/89) o conceito de agrotóxico genérico e estabelece regras para o registro dos produtos. O texto original denominava tais produtos como defensivos agrícolas, sendo agora tratados como agrotóxicos, conforme emenda do relator aprovada na CRA.
Na apresentação de seu parecer favorável, Waldemir Moka informou que um genérico utiliza a fórmula de outro produto já existente e registrado, sendo este último o produto de referência para o primeiro. Dessa forma, o projeto explicita que um agrotóxico genérico não pode ser produto de referência para registro de outro genérico. O texto determina ainda que a equivalência entre produtos será feita com base em critérios a serem definidos em regulamento específico. Também serão estabelecidas regras específicas para receituário agronômico. Ao manifestar seu voto favorável, Casildo Maldaner (PMDB-SC) observou que produtos genéricos na agricultura já são usados em diversos países e Ivo Cassol (PP-RO) frisou que a ampliação de oferta de insumos agrícolas combate a formação de cartéis, prática que penaliza o agronegócio brasileiro. Quando da discussão da matéria, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) destacou as vantagens da regulamentação de genéricos para agricultura brasileira.
– Não é justo deixar nosso agricultor pagar o que ele está pagando hoje com a importação dos produtos – afirmou. A senadora observou que melhor seria se o país já contasse com uma agricultura orgânica de escala e não necessitasse usar agrotóxicos. Favorável ao projeto, o senador Jayme Campos (DEM-MT) argumentou que a adoção de medicamentos genéricos de uso humano reduziu o preço dos remédios, prevendo resultado semelhante com a regulamentação de agrotóxicos genéricos. Os impactos positivos da medida também foram ressaltados pelo presidente da CRA, Acir Gurgacz (PDT-RO).
AGÊNCIA SENADO

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Nova safra de trigo do Brasil cairá 10%; exportação é recorde
SÃO PAULO (Reuters) - A nova safra de trigo do Brasil (2011/12) foi estimada nesta terça-feira em 5,3 milhões de toneladas, queda de cerca de 10 por cento na comparação com a anterior, previu a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A redução na produção ocorre, em parte, por uma esperada queda de 4,3 por cento no plantio ante a temporada anterior, para 2,05 milhões de hectares, mostraram dados da Conab que constam do primeiro levantamento da estatal para o trigo da nova safra. O Paraná, maior produtor de trigo do Brasil, deverá cultivar 10 por cento menos do que no ano passado, segundo a Conab. "O milho safrinha no Paraná cresceu e tomou área de trigo. O milho está com liquidação muito boa, como nunca tivemos. Colheu, vendeu", afirmou o técnico da Conab Paulo Magno Rabelo, comentando a perda de área do trigo para a cultura concorrente de inverno no Estado.
O Paraná semeou até o momento pouco mais da metade da área esperada pelo Estado, segundo dados do governo local. Por outro lado, no Rio Grande do Sul, segundo produtor nacional de trigo, a área plantada deverá aumentar mais de 5 por cento, com os produtores gaúchos animados com o crescimento das exportações do produto --além disso, eles não têm, como os paranaenses, a opção de plantar milho segunda safra. Rabelo observou ainda que a produção total do Brasil poderia ser maior do que o inicialmente estimado, porque a Conab utilizou para o cálculo uma produtividade histórica média. "Se utilizássemos a produtividade registrada no ano passado, que foi muito boa, a produção seria de 5,6 milhões de toneladas, com pouca diferença em relação à safra anterior", afirmou ele, comentando que a intenção de plantio do produtor também poderá mudar à medida que os trabalhos se desenvolvem.
EXPORTAÇÕES RECORDES
Após colher uma das melhores safras dos últimos anos, de 5,8 milhões de toneladas, o Brasil (um importador líquido) já exportou um volume recorde do cereal na atual temporada 2010/11 (agosto/julho). Segundo dados do Ministério da Agricultora, as exportações de trigo do Brasil de agosto de 2010 a abril de 2011 somam 2,15 milhões de toneladas, quase o dobro das registradas em toda a temporada anterior, com os produtores e exportadores tirando proveito de um programa do governo (PEP) que subsidia o transporte do produto até os portos, além dos bons preços no mercado internacional.nQuase que a totalidade do volume exportado em 2010/11 foi embarcado neste ano, com o Rio Grande do Sul respondendo por mais da metade das exportações.
O cereal gaúcho é bastante apreciado pelos países do norte da África e Oriente Médio, os principais destinos. Ao mesmo tempo, o Brasil não demanda todo o trigo produzido no Rio Grande do Sul, mais adequado para a fabricação de farinha para a produção de biscoitos.Até o final da temporada, o Brasil deve exportar 2,25 milhões de toneladas de trigo, segundo Rabelo.Já as importações entre agosto e abril somam 4,4 milhões de toneladas, sendo 2,3 milhões de toneladas de janeiro a abril.
Reuters
Roberto Samora

Ruralistas querem incluir criação de animais em APPs no texto do Código
Brasília - A bancada ruralista na Câmara, formada por parlamentares de vários partidos como DEM, PTB e PMDB, reuniu-se há pouco para consolidar algumas propostas de adequação do texto do relator do Código Florestal, Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Eles vão se encontrar com o Aldo Rebelo antes da votação, marcada para hoje (11). Esses deputados querem que fique clara a garantia de que os agricultores poderão continuar plantando alimentos, produtos de baixo impacto ambiental e de forma sustentável nas áreas de proteção ambiental (APPs). Eles defendem também a criação de animais silvícolas e de pastoreio – como gado e carneiros – nessas áreas.O deputado paranaense e ex-ministro da Agricultura Reinhold Stephanes (PMDB) afirmou que está tudo praticamente fechado em torno do relatório de Rebelo. Stephanes disse ainda que a exploração de outras culturas poderá ser incluída desde que elas cumpram os serviços de recuperação ambiental. “Trata-se de uma questão de alterar a redação [da proposta de Aldo Rebelo] para reduzir as resistências [na aprovação do parecer].”
Reinhold Stephanes criticou a forma como o governo federal tem negociado o texto. “Eles querem que o código seja aprovado por uma ampla maioria de votos, pelo Congresso, para justificar aos países desenvolvidos e organismos internacionais a implantação das mudanças.” Já o líder do Partido Verde (PV), Sarney Filho (MA), considera difícil apreciar um projeto do qual não se tem conhecimento até agora e das mudanças que estão em andamento. Ele acrescentou que “será difícil” votar o código hoje se a nova proposta de Aldo Rebelo for apresentada na parte da tarde. Ele afirmou que o adiamento da votação na Câmara deixou de ser importante. Ele ressaltou que o partido tentará analisar a proposta do relator para que a matéria seja apreciada ainda hoje, mas ressalvou que “o projeto não pode ser votado a toque de caixa”.
Sarney Filho acredita que a presidenta Dilma Rousseff vetará partes do texto, caso a proposta passe no Congresso da forma como está. “Há um compromisso [ainda na campanha do segundo turno à Presidência da República] de não reduzir as reservas legais, as áreas de proteção permanente e não permitir novos desmatamentos, se houver qualquer mudança nesses três pontos”, disse. Stephanes, porém, disse que se Dilma vetar o texto do Congresso os ruralistas e representantes do agronegócio vão explorar ao máximo o assunto nas eleições de 2014. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), reafirmou que a tendência, na Casa, é que a matéria seja aprovada sem qualquer mudança no texto que venha a ser deliberado pela Câmara. Ele evitou, no entanto, prever qualquer prazo para a conclusão da votação no Congresso. “Está havendo um esforço muito grande para que haja um consenso na Câmara. A demora na votação, na Câmara, é justamente pela busca do consenso, que, ao que tenho notícia, está muito próximo.”
Agência Brasil
Marcos Chagas