segunda-feira, 6 de junho de 2011

Chuva pode favorecer lavouras de trigo e milho no PR
As chuvas previstas para as próximas horas no Paraná – nas regiões produtoras de trigo e milho de segunda safra – podem ajudar a produção no estado. "Este ano, as temperaturas estão baixas, mas a umidade nessas regiões está normal, portanto, qualquer chuvisco já ajuda na fase de espigamento e floração das lavouras”, explicou à Agência Brasil, o diretor do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Otmar Hubner. A previsão do serviço de meteorologia do Paraná (Simepar) é que ocorram pancadas isoladas de chuva nas regiões norte, oeste, sudoeste apenas na terça-feira (7). O meteorologista Tarcísio Vlentin disse que uma massa de ar frio chega ao estado na quarta-feira (8), o que deixa o tempo seco nessas regiões.
O Paraná é o maior produtor nacional de trigo, com a previsão de colher este ano 2,84 milhões de toneladas, o que corresponde a 56,6% da produção brasileira prevista para 2011. A plantada é feita entre 11 de março e 20 de julho. “Até agora temos 70% da cultura plantados”, informou Otmar. Se forem somadas as duas safras de milho, o Paraná também é o maior produtor dessa cultura. As duas safras devem totalizar a produção de 13,18 milhões de toneladas. A expectativa para a segunda safra de milho é 7,32 milhões de toneladas. Esta safra, de acordo com Otmar, foi plantada de janeiro a março. A colheita começou em maio e deverá terminar em julho. “Temos apenas 1% das lavouras colhido, e o restante em fase de desenvolvimento vegetativo a início de florescência.”
Lúcia Nórcio
Agência Brasil

Produtos orgânicos chegam a apenas 27% dos supermercados
Segundo Associação Brasileira de Orgânicos (Brasilbio), 80% dos produtores no país são agricultores familiares
Brasília - De cada R$ 100 vendidos pelos supermercados brasileiros, apenas R$ 0,54 são lucrados com a venda de produtos orgânicos, de acordo com dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Mas a demanda está crescendo. Até alguns anos poucos varejistas investiam na comercialização dos itens. Atualmente os alimentos orgânicos estão presentes nas prateleiras de 27% dos supermercados do país. O aumento da demanda por produtos orgânicos beneficia principalmente os pequenos empresários. Segundo dados da Associação Brasileira de Orgânicos (Brasilbio), que reúne os produtores, processadores e certificadores, 80% dos produtores de orgânicos no país são agricultores familiares. Em todo o Brasil há 90.497 empreendedores que produzem os alimentos sem agrotóxicos, segundo o Censo Agropecuário 2006, último levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia de Estatística (IBGE).
Os pequenos são os que mais lucram com o aumento do faturamento do setor. Segundo a Brasilbio, em 2011 os produtores devem faturar 40% acima dos R$ 500 milhões registrados no ano passado. A expectativa é chegar a R$ 700 milhões neste ano. “O volume ainda é baixo, mas este é um movimento novo, com tendência a crescer muito. E quem mais lucra são os pequenos. A maioria dos produtores no Brasil são agricultores familiares que vendem para grandes varejistas e atacadistas”, afirma o presidente da Brasilbio, José Alexandre Ribeiro. Uma das primeiras redes brasileiras a investir na alimentação sem agrotóxicos, o Grupo Pão de Açúcar comercializa orgânicos há 15 anos e atualmente conta com cerca de 130 fornecedores em todo o país. Nas prateleiras há mais de 300 produtos disponíveis. No ano passado a rede vendeu R$ 75 milhões em produtos orgânicos e a expectativa é que as vendas cresçam entre 30% e 40% em 2011. “Há 10 anos somente verduras e legumes estavam disponíveis nas lojas. Hoje, além dos itens in natura, temos carne, massas, molhos e todos os componentes para uma refeição completa e saborosa”, afirma a gerente de orgânicos do Grupo Pão de Açúcar, Sandra Caires Sabóia.
Produtora há 25 anos de alimentos orgânicos, a Fazenda Malunga, localizada a 70 quilômetros de Brasília, viu todo o avanço do mercado. No início, ela e o marido, Joe Carlo Viana, vendiam a produção em uma feira semanal realizada na Universidade de Brasília (UnB). A mercadoria era transportada no porta-malas do carro. Atualmente fornecem para 60 supermercados de Brasília e de Goiânia, além de fazerem entregas diárias a 200 domicílios. Por dia, são mais de 1 mil caixas de legumes e verduras. O número de funcionários saltou de 12, em 2001, para 220. “A demanda cresceu mesmo foi nos últimos 10 anos. Os supermercados abriram mais espaços para os produtos agrícolas porque o consumidor está pedindo por estes produtos”, afirma a proprietária da marca, Clezane Ribeiro Pereira.
Com o objetivo de gerar visibilidade e disseminar os benefícios dos alimentos produzidos sem agrotóxicos, o Ministério da Agricultura, em parceria com o Sebrae e diversas outras instituições, está promovendo até o próximo dia 5 de junho a 7ª Semana dos Alimentos Orgânicos. O tema da edição deste ano é “Produtos Orgânicos – ficou mais fácil identificar”, com foco na divulgação do selo Produto Orgânico Brasil, que ajuda os consumidores a identificar esses produtos, e da Declaração de Cadastro do Agricultor Familiar, ambos instituídos pelo ministério.
Mariana Flores
Agência Sebrae de Notícias
Município de Cambé, no Paraná, é o campeão nacional de redução de perdas na colheita da soja
Média de perdas no município não chegou a meia saca
O município de Cambé, no norte do Paraná, com 98 mil habitantes, ostenta o título de campeão nacional de redução de perdas na colheita da soja. Este ano 143 agricultores entraram na disputa. Ser vencedor do Concurso de Redução de Perdas na Colheita de Soja não é pouco. A colheitadeira, até o seu destino final, perde muitos grãos pelo caminho. No momento da colheita, o produtor brasileiro perde, em média, duas sacas por safra. São 2,7 milhões de toneladas ou quase R$ 2 bilhões deixados no campo.  No concurso de Cambé a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) comanda a pesagem das amostras recolhidas na hora da colheita. Agricultores ajudam como voluntários e fiscais. No ano passado o produtor campeão perdeu pouco mais de uma saca e meia por hectare. Mas a média do município não chega a meia saca, menos do que o índice adotado como ideal pela Embrapa, que fica em 0,75 saca perdida por hectare.
O tempo trouxe mudança de hábitos, mas os últimos colocados revelam que ainda há muito a fazer.  Cambé tem 35 mil hectares de soja. Se for comparar com o Paraná, que perde uma saca por hectare, Cambé está perdendo a metade. São perdidas 17.500 sacas, a R$ 40, isso dá R$ 700 mil. É dinheiro que não se jogou fora nas propriedades com a regulagem das colheitadeiras pelos operadores – relata o extensionista da Emater de Cambe, Alcides Bodnar. O agricultor Tiago Batistella é também o operador da colheitadeira na sua propriedade. Ele dá a receita contra o desperdício na hora de colher.
– Ele tem que acordar cedo, regular, examinar toda a máquina, regulagem de peneira, de cilindro, ventilação, e ter uma velocidade constante na máquina. Tanto lá atrás regulado como a plataforma, que é onde se tem uma “boa” perda, quando não está regulada. E o clima, durante o dia existem três regulagens: de manhã é uma regulagem, na hora do almoço, que é a hora do sol quente muda e à tardezinha ou ao anoitecer também muda. Ele tem que acompanhar todos esses fatores porque senão a perda é grande – explica.  Para o Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade o concurso estimula o aperfeiçoamento profissional.
– Hoje há um interesse muito grande entre os operadores. Ninguém quer ficar para trás. Não se torna só uma competição, mas o interesse por melhorar o trabalho – relata o presidente do sindicato, José Miguel Alonso. A Embrapa tem um programa contra o desperdício da alimentação que envolve a redução de perdas na colheita.
– Não é só o foco no grão, é o foco geral, frutas, hortaliças de maneira geral. A preocupação do governo é orientar os técnicos e os produtores para a conscientização do problema de perda, que é inerente a qualquer processo. Através de treinamentos e informações a ideia é que essa perda seja mínima, para que ele possa ter um maior rendimento. Mas a perda no Brasil é grande. São várias as condições, a perda no transporte, desde as fazendas até os silos, os armazéns, as condições de estradas e de caminhões contribuem. Quando a gente olha dentro da propriedade, no processo de colheita em si, é o treinamento do operador da máquina para que ele saiba o que pode acarretar uma elevada perda de grãos na colheita de soja – ressalta o pesquisador da Embrapa Soja, José Miguel Silveira.
Kátia Baggio
Canal Rural  


sábado, 4 de junho de 2011

Agronegócio, mais uma vez, puxa o crescimento do PIB brasileiro
Brasília - A agropecuária foi a principal responsável pelo crescimento de 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país no primeiro trimestre de 2011, com salto de 3,3% no período, a maior taxa de expansão entre todos os setores da economia. Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o aumento foi puxado, principalmente, pelos ganhos de produtividade, que devem levar a uma safra de grãos e fibras estimada em 159 milhões de toneladas. Entre os produtos que mais contribuíram para o resultado do primeiro trimestre, por causa da colheita no período, estão algodão, arroz, milho e soja. Na comparação com os três primeiros meses de 2010, a agropecuária apresentou crescimento de 3,1%. A Superintendência Técnica da CNA avaliou que os próximos levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo oficial do produto interno, devem apresentar resultados ainda mais positivos para o setor agropecuário, pois, além do resultado final da safra de grãos, vai contemplar o período em que se deu a recuperação de preços do agronegócio. A estimativa da confederação é que o PIB do setor feche 2011 com elevação de 9%.
Danilo Macedo
Agência Brasil



quinta-feira, 2 de junho de 2011

Para o governo, embargo russo à carne brasileira pode ter "outras motivações" além da questão técnica
Brasília - O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura (Mapa), Francisco Jardim, declarou no início da noite de hoje (2) que a forma como a Rússia comunicou o embargo à importação de carne de 89 frigoríficos brasileiros “reforça a sensação de que existem outras motivações para a decisão russa, além das questões técnicas alegadas”. “Pela segunda vez, a notificação chega sem nem mesmo ter sido enviado ao governo brasileiro o relatório técnico das inspeções russas feitas no Brasil”, afirmou o secretário por meio de nota, se referindo ao episódio ocorrido no final de abril, quando a Rússia embargou temporariamente as importações de oito plantas frigoríficas brasileiras. Segundo Jardim, a Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa enviou correspondência às autoridades russas cobrando o relatório técnico. Ele disse que na reunião ocorrida há duas semanas, em Moscou, para tratar do assunto, foram repassadas todas as informações técnicas solicitadas pelas autoridades sanitárias russas e, na ocasião, ficou acertado um novo encontro, na mesma cidade, na segunda quinzena de junho, para continuar as discussões.
O Mapa informou que ainda não foi feita a avaliação do impacto do embargo russo. O setor deve fazer essa estimativa na próxima segunda-feira (6), em reunião dos presidentes de todas as empresas exportadoras de carne do Brasil e das associações de exportadores e produtores de carne. Em relação à declaração do porta-voz do serviço de Inspeção Sanitária Agrícola da Rússia (Isar), Alexéi Alexéyenko, de que foi constatada a presença de bactérias e parasitas em vários lotes de carne brasileira, Jardim a classificou como “completamente destituída de fundamentos científicos”. Segundo ele, isso jamais foi apresentado oficialmente ao governo brasileiro pelas autoridades daquele país.
Danilo Macedo
Agência Brasil

Agricultores em extrema pobreza receberão R$ 2,4 mil
Uma das metas do Plano Brasil sem Miséria para a zona rural é o pagamento de R$ 2,4 mil, por família, ao longo de dois anos, para agricultores em situação de extrema pobreza atendidos pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). A finalidade é apoiar a produção e a comercialização excedente de alimentos. O pagamento será efetuado por meio do cartão do Bolsa Família. O programa prevê aumentar de 66 mil para 255 mil, até 2014, o número de agricultores familiares em situação de extrema pobreza atendidos pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do Ministério do Desenvolvimento Agrário.
Esses agricultores também terão o acesso à assistência técnica ampliado com a disponibilidade de uma equipe de 11 técnicos para cada mil famílias. Um total de 253 mil famílias receberão sementes, adubos e fertilizantes. “O meio rural concentra o maior índice de pobreza. Um em cada quatro dos que vivem no meio rural são extremamente pobres. Serão acompanhadas 250 mil famílias e esses R$ 2,4 mil por família permitirá investimentos em organização da propriedade. Eles também receberão sementes da Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária]”, disse a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello. Segundo a ministra, outra meta é aumentar a compra de produtos desses agricultores por parte de estabelecimentos privados, como supermercados.
Yara Aquino e Daniella Jinkings
Agência Brasil