segunda-feira, 21 de março de 2011

Bons preços, desempenho recorde

Produtores paranaenses que apostaram no milho na safra de verão podem comemorar: valor da commodity subiu quase 80% em menos de oito meses

O produtor paranaense que apostou no plantio de milho no ano passado para a safra de verão já pode comemorar. Os preços da commodity que estavam numa média de R$ 13 a saca, em julho de 2010, subiram quase 80% em menos de oito meses, chegando no seu auge em fevereiro passado, atingindo R$ 22,34. Para ajudar, as condições climáticas foram perfeitas para o grão - com chuvas abundantes - o que deve fazer com que a produtividade bata o recorde da safra passada, que girou em torno de 7,6 mil quilos por hectare. Entretanto, dados do Departamento de Economia Rural da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab/Deral), apontam uma redução significativa na área de plantio do grão no Estado. A área que girava em torno de 896 mil hectares na safra 2009/2010 passou a 735 mil hectares, uma queda de 18%. ''É a menor área plantada desde a década de 1960.Isso aconteceu basicamente pelo ambiente de preços em meados do ano passado, que estavam muito baixos. A produção desta safra deve ficar em torno de 5,39 milhões de toneladas, ou um pouco acima disso. Uma queda de pelo menos 21% na produção'', calcula Margorete Demarchi, engenheira agrônoma do Deral.
Outro fator que foi decisivo para que os produtores não plantassem milho verão foi a expectativa da seca trazida pelo fator La NiÀa, que acabou não acontecendo. O índice pluviométrico foi elevado, o que otimiza a produtividade consideravelmente. ''A média (de produtividade) girava em torno de cinco a seis mil quilos por hectare. Na safra passada, ficou acima de sete mil quilos por hectare e deve ser ultrapassada este ano. Quem apostou na cultura, vai acabar se dando bem, já que nada sinaliza queda de preço nos próximos meses'', avalia Margorete. ''32% da safra foi colhida. Está um pouco atrasada, isso devido ao excesso de chuvas e também porque os produtores que também plantam soja deram prioridade para a oleaginosa, que é um pouco mais vulnerável'', complementa. Dentre os fatores que justificam essa ascensão de produtividade está a utilização das sementes transgênicas (que hoje representam 70% da produção do Paraná), além do manejo e adubação de solo adequada. ''Os preços têm que estar bons, já que as sementes representam uma média de 45% do custo de produção do milho, contra 25% de tempos atrás. O maior impacto para a produção está nas sementes e adubação de cobertura'', avalia Irineu Baptista, gerente técnico da cooperativa Integrada. Pedro Chioga, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), salienta que para bons resultados com o milho é fundamental o plantio das cultivares corretas. ''Isso depois vai auxiliar no controle de pragas e doenças, principalmente a lagarta do cartucho. Não vai ser surpresa se atingirmos de 170 a 200 sacas por hectare, a evolução tecnológica é muito grande'', finaliza o especialista.

Folha Web
Autor: Victor Lopes

sexta-feira, 18 de março de 2011

Produtores aproveitam o tempo bom para colher



Foto: Fábio Bortoleto

Tempo bom, céu azul, sol forte e soja no ponto de colher. Essa é a combinação perfeita que todo produtor rural espera no período de colheita. Na região de Londrina os agricultores estão aproveitando o tempo bom para acelerar a colheita da soja. De acordo com o Departamento de Economia do Paraná (Deral) e expectativa para o Norte do Paraná é que os produtores colham uma média de 3,6 milhões de toneladas de soja nesta safra. Bom não só para o produtor rural, mas para toda a economia da região e para o Paraná já que o Estado é o maior produtor nacional de grãos. Segundo a projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o Estado irá colher 30,2 milhões de toneladas, o que representa 20% do total da safra nacional.

Fábio Bortoleto

Produtores de cana garantem que não haverá desabastecimento de etanol



Divulgação
Representantes de produtores de cana-de-açúcar garantiram ao governo federal que o mercado será regularmente abastecido com etanol, mesmo no período da entressafra. Eles estiveram reunidos ontem (17) com os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e de Minas e Energia, Edison Lobão, além de representantes do Ministério da Agricultura.“Sempre na entressafra há uma dúvida que surge na cabeça das pessoas, de que pode haver alguma crise no abastecimento. Mas estamos conversando com os produtores e ele nos transmitiram a firmeza de que o mercado será plenamente abastecido”, disse Lobão.O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, disse que a produção começará no início de abril e, até a primeira quinzena do mês, mais de 50% da usinas estarão produzindo etanol. Segundo ele, a possibilidade de desabastecimento existe todos os anos, mas, neste momento, o risco é muito pequeno. “Estamos fazendo de tudo para que as empresas comecem a moer [a cana] o mais rápido possível, mas isso depende de outras condições, como o clima”, alertou. Lobão também disse que o governo não pensa em alterar o percentual de etanol acrescentado à gasolina neste momento.

Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil

Dilma afirma que o Brasil irá exportar fertilizantes em breve

A presidente da República, Dilma Rousseff, afirmou nesta quinta, dia 17, que o Brasil passará da importação à autossuficiência, e até mesmo exportação, de fertilizantes, com o investimento de R$ 11,2 bilhões previsto para a produção de matérias-primas do insumo. Dilma assinou nesta quinta, dia 17, em Uberaba (MG), o protocolo para a construção de uma fábrica de amônia, um dos produtos básicos para a formulação de adubos. Ao justificar os investimentos, Dilma comparou a dependência brasileira de fertilizantes com a que o país tinha em relação ao petróleo

– O Brasil passou a ser grande exportador de petróleo e queremos ser autossuficientes em fertilizantes. É absurdo importar 60% da demanda. Não buscaremos só a segurança alimentar, temos recursos suficientes para sermos exportadores – disse. A presidente lembrou ainda que o país possui uma das maiores reservas de outro insumo básico para a produção de fertilizantes, o potássio, na Amazônia, de propriedade da Petrobras.

– Ela se tornará devidamente explorável no meu governo, encaminharemos essa exploração, da Petrobras – informou.Retomando o discurso da campanha e da posse presidenciais, Dilma voltou a falar sobre a meta de erradicar a pobreza no país, considerada por ela uma "exigência social, ética e econômica". Afirmou ainda que vai discutir com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, parcerias na área de educação, e que irá criar um programa nacional para o ensino técnico.– Queremos vagas e oportunidade nas grandes faculdades e universidades americanas, nós damos conta das bolsas – complementou.

Agência Estado

quinta-feira, 17 de março de 2011

Governo disponibiliza R$ 236 mi para compra de arroz, feijão e trigo

A Conab poderá adquirir, este mês, 349,6 mil toneladas de produtos como arroz, feijão e trigo de estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, por meio da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). Os recursos, cerca de R$ 236 milhões, foram aprovados em reunião da comissão interministerial (Fazenda, Agricultura, Pecuária e Abastecimento e o Banco do Brasil), realizada no fim do mês passado, e serão repassados pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) à Companhia para utilização em Aquisições do Governo Federal (AGF), serão 223,7 mil toneladas de arroz dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, 73,1 mil toneladas de feijão de Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, e 52,7 mil toneladas de trigo de Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo, totalizando 349,6 mil toneladas de produtos agrícolas. Na reunião, foram aprovados, também, R$ 81,4 milhões para custeio de despesas com transporte, armazenagem, impostos/tributos e outros.O governo utiliza os mecanismos da PGPM para adquirir excedentes de produtos do mercado, tendo por base o preço mínimo definido para cada produto. Com isto, as distorções de preços pagos ao produtor são corrigidas e ele tem garantida sua renda, além de uma remuneração mínima da colheita.

(Raimundo Estevam/Conab)


Queda nas cotações não preocupa brasileiros

A queda nas cotações das commodities teve ressonância considerada fraca no Brasil e não causa estardalhaço entre os produtores. Deixa o setor preocupado, mas nem por isso deve provocar uma corrida às vendas. Isso porque perto da metade da safra de soja já foi comprometida. E a maior parte do que falta vender ainda não foi colhida. O momento, no entanto, requer atenção, principalmente para quem ainda não tem uma estratégia de venda. A avaliação é da economista Gilda Bozza, da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), que acompanha a Expedição Safra em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

Apesar das baixas de até R$ 3 por saca registradas nas regiões produtoras, o preço da soja segue ao menos 20% acima do praticado nesta época do ano passado. E, apesar da crise na África e Oriente Médio e dos terremotos no Japão, “os fundamentos do mercado continuam os mesmos”, observa o executivo Júlio Piasilva, gerente da cooperativa C. Vale em Abelardo Luz, Oeste de Santa Catarina. Em sua avaliação, os preços atuais ainda estão bons. “Acima de R$ 40, dá para vender. Quem precisa comercializar, não tem por que esperar.”

A região Oeste catarinense é produtora de sementes e os agricultores, por contar com bonificação de cerca de 8% sobre o preço de mercado da soja industrial, sentem menos pressão para a venda antecipada. Assim, estão com grande quantidade de soja para comercializar e qualquer variação influencia diretamente em sua renda. Jandir Carmignan, de Faxinal dos Guedes, não vendeu nada antes da colheita, que está pela metade. Nas últimas semanas, a cotação da oleaginosa em sua região caiu de R$ 48 para R$ 45 por saca de 60 quilos. Mesmo assim, ele diz estar tranquilo. Decidiu vender parte da produção agora e deixou uma parte armazenada, como faria normalmente, com ou sem terremotos.
Traçar uma estratégia de venda significa garantir dinheiro para pagar as contas, conforme a economista Gilda Bozza. Ela analisa que uma série de fatores está influenciando as cotações internas neste momento. Entre eles, a notícia de safra recorde, que tranquiliza os compradores, a ocorrência de quebra por excesso de chuva em Mato Grosso do Sul, que vem sendo precificada à medida que os produtores confirmam prejuízos, e os problemas internacionais, que podem afetar a renda da metade da safra que ainda está no campo.

Boa parte da tranquilidade que os produtores demonstram é dosada pelo milho. Se a soja tem preço 20% acima do praticado um ano atrás, no cereal houve aumento de até 90%. No verão passado, o preço que os produtores recebiam mal pagava os custos. Agora, o cultivo voltou a ser sustentável, com rentabilidade ainda inferior à da soja em muitas regiões, mas suficiente para reduzir as reclamações do setor.

O clima preocupa os produtores de milho mais que o mercado. José Antônio Palomo, de Abelardo Luz, que vendeu parte da produção para cobrir custos, espera produtividade de 10,8 mil quilos por hectare, similar à alcançada no ano passado. Sua maior preocupação é manter o porcentual de grãos ardidos abaixo de 10% mesmo com o excesso de umidade.

Gazeta do Povo
José Rocher