terça-feira, 5 de abril de 2011

Produtividade se compara à do Centro-Oeste

Com a ajuda do clima e da alta tecnologia, os produtores do Centro-Norte do Brasil esperam alcançar os rendimentos do Mato Grosso, maior produtor nacional de soja. Para Glaucir Pauleto, gerente de produção e agrônomo da Ceagro, isso já ocorreu. “Nossa meta, de 51 scs/ha (ou 3,060 mil quilos por hectare) está sendo atingida nas primeiras áreas colhidas deste ano”, revela. Produtor e presidente do Sindicato Rural de Balsas (Sindibalsas), Ivan Mota Barbosa também está otimista com os rendimentos alcançados nesta colheita. Ele acredita que a produtividade média da soja no município, que é o maior produtor estadual, dificilmente ficará abaixo dos 3 mil quilos por hectare. Além da competitividade comprovada dentro das porteiras das fazendas, a região maranhense tem vantagem logística sobre Mato Grosso, por estar a 750 quilômetros do Porto de Itaqui, em São Luís.

Tocantins

No estado mais jovem do Brasil, a safra 2010/11 também está para lá de positiva. O agricultor Márcio Donizete, de Pedro Afonso, confirma a tendência de altos rendimentos na soja. Neste ciclo, ele pretende colher 180 quilos por hectare a mais (três sacas) do que no ano anterior. “Minha média desse ano está em 3,2 mil quilos por hectare”, diz animado.

Cassiano Ribeiro
Caravanas se mobilizam pela aprovação do Código Florestal
Brasília - Caravanas de todo o país desembarcam hoje (5) em Brasília para participar de mobilização pela aprovação do novo Código Florestal, em discussão no Congresso Nacional. A concentração começa às 9h em frente ao Congresso. Promovido pela Frente Parlamentar da Agropecuária e pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil, o movimento deve pressionar parlamentares pela aprovação da nova legislação ambiental. O presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras, Marcio Lopes de Freitas, defende a necessidade urgente de votação do projeto. No dia 11 de junho de 2011 termina o prazo estabelecido para que os proprietários rurais averbem suas reservas legais. O novo Código Florestal será discutido em audiência pública, marcada para as 14h, na Comissão de Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional. Foram convidados, entre outros, o relator do projeto,  deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP).
Edição: Graça Adjuto
Da Agência Brasil

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Especialistas alertam para o perigo dos agrotóxicos para a saúde humana e o meio ambiente
Brasília – Especialistas que participaram de mesa-redonda promovida pela Rádio Nacional de Brasília, da Empresa Brasil de Comunicação, para debater o uso inadequado de agrotóxicos nas lavouras, alertaram para a importância de substituir os defensivos agrícolas por produtos de menor toxicidade e também para o perigo do uso de agrotóxicos contrabandeados. Eles observaram que é preocupante a contaminação dos produtos agrícolas e de origem animal que pode afetar a saúde humana.  Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e ex-presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear, José Luiz Santana, um dos debatedores, ponderou que o uso de defensivos acaba sendo necessário para que a produção agrícola mundial se situe no patamar anual de 2 bilhões de toneladas de grãos.
Por isso, segundo ele, “é preciso que a própria sociedade cobre o emprego correto desses produtos de forma que os efeitos negativos para a saúde do consumidor sejam reduzidos”.O médico e doutor em toxicologia da Universidade Federal de Mato Grosso Wanderlei Pignatti afirmou que, em 2009, foram utilizados, no Brasil, 720 milhões de litros de agrotóxicos. Só em Mato Grosso, foram consumidos 105 mil litros do produto. Ele indaga “onde vai parar todo esse volume” e defende a reciclagem das embalagens vazias a fim de não contaminarem o meio ambiente. Pignatti alerta que a chuva e os ventos favorecem a contaminação dos lençóis freáticos. Entre os defensivos agrícolas mais perigosos, ele cita os clorados, que estão proibidos em todo o mundo e ainda são utilizados largamente no Brasil. São defensivos que causam problemas hormonais e que podem afetar a formação de fetos, segundo o médico.
O professor relatou que, nos locais onde o uso de agrotóxicos não é feito com critério, encontram-se casos de contaminação do próprio leite materno, “o alimento mais puro que existe”, o que ocorre pela ingestão do leite de vaca. “A mulher vai ter todo o seu organismo afetado quando o seu leite não estiver puro e os efeitos tóxicos podem ficar armazenados nas camadas de gordura do corpo”. Ele lembrou ainda há resolução do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que proíbe a pulverização de agrotóxicos num raio de 500 metros onde haja habitação e instalações para abrigar animais, distância que tem que ser observada também em relação às nascentes. O professor Mauro Banderali, especialista em instrumentação ambiental na área de aterros sanitários, reconhece que, apesar da cultura de separação do lixo tóxico em aterros que há existe no país, ainda não se sabe exatamente o potencial dos agrotóxicos para contaminar o solo e a água e, consequentemente, os seres humanos pelo consumo de alimentos cultivados em áreas pulverizadas. “A preparação do campo para o plantio é, frequentemente, feita sem se saber se vai vir chuva. Quando o tempo traz surpresas, ocorre a contaminação das nascentes em lugares onde a aplicação foi demasiada”.
O professor José Luiz Santana ressalva que há, no país, propriedades muito bem administradas onde há a preocupação de manter práticas sustentáveis. Ele, no entanto, denunciou que há agricultores que usam marcas tidas como ultrapassadas na área dos químicos e que podem ser substituídas por alternativas de produtos mais evoluídos, disponíveis no mercado. Para ele, apesar da seriedade do assunto, “não se deve assustar as pessoas quanto ao consumo de alimentos”, já que as áreas do governo que cuidam do tema têm o dever de trabalhar pelo bom uso dos agrotóxicos e, além disso, conforme ressaltou, a agricultura conta com um “trabalho de apoio importante por parte de organizações não governamentais que procuram difundir o uso correto dos defensivos agrícolas.
Edição: Lana Cristina
Lourenço Canuto
Repórter da Agência Brasil
Pa­ra­ná tam­bém rei­vin­di­ca me­lho­res con­di­ções de cus­teio
Representantes do agronegócio do Paraná também pediram mudanças nos limites de crédito para financiar a próxima safra. Por meio de uma carta, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) sugeriram ao ministro da Agricultura, Wagner Rossi, o aumento de recursos financeiros de R$ 116 bilhões para R$ 140 bilhões. Desse total, R$ 20 bilhões seriam destinados à agricultura familiar e o restante para a empresarial.

Pedro Loyola, economista da Faep observa que a reivindicação pede ainda a redução da burocracia na aquisição de créditos e, principalmente, das taxas impostas sobre os financiamentos, dos atuais 6,75% para 5,75% ao ano. Além disso, destaca a necessidade de disponibilização de um bônus de adimplência de 1%. O documento sugere, também, que sejam mantidas as taxas de 2% cobrada pelo Mais Alimentos e de 4% do Pronaf.

Quanto ao preço mínimo, tanto a Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento quanto Ocepar e Faep estão sugerindo que na safra 2011/12 seja corrigido de acordo com a inflação do período. Também consideram importante assegurar recursos de, no mínimo, R$ 6 bilhões para apoiar a comercialização da safra brasileira, além do resgate dos empréstimos do governo federal com opção de venda. Ainda de acordo com a carta, o Paraná requisitou a redução de 1,25% na taxa de juros imposta sobre o Moderfrota, que visa estimular a troca de equipamentos velhos por mais modernos. (R.M.)

sábado, 2 de abril de 2011

Embrapa realiza cursos de soja e milho para técnicos africanos

Na segunda edição dos cursos do Diálogo, a Embrapa Estudos e Capacitação receberá, entre os dias 4 e 15 de abril deste ano, 49 técnicos procedentes de 28 países africanos, para 80 horas de capacitação. No módulo Agricultura: Motor do Desenvolvimento Econômico e Social, de 40h, os participantes serão levados a refletir sobre as suas realidades a partir dos pilares nos quais está estruturado o modelo agrícola brasileiro: o homem (a família, o produtor e o trabalhador rural), a terra, a organização política e social, a pesquisa e a tecnologia e o capital financeiro. Pesquisadores do Núcleo de Estudos Estratégicos serão os palestrantes de boa parte do programa desse Módulo. No segundo Módulo (40h), 25 técnicos receberão a capacitação em “Sistema de produção de milho para pequena propriedade rural, produção comunitária de sementes de milho e sistema de coleta e conservação de água na propriedade rural", realizado pela Embrapa Milho e Sorgo, sediada em Sete Lagoas (MG) e outro grupo de 24 pessoas se deslocará para a cidade de Londrina (PR) onde participará do Módulo “Cultivo de Soja”, ministrado por pesquisadores da Embrapa Soja.
 Perfil dos participantes
Todos os técnicos africanos que receberão capacitação estão vinculados em seus países de origem a Ministérios de Agricultura e de Desenvolvimento Rural, bem como a Centros de Pesquisa Agrícola, Investigação Agrária, Institutos de Extensão Rural e Universidades, onde exercem a função de pesquisadores, especialistas, coordenadores e supervisores. Em sua maioria, possuem formação em Ciências Agronômicas, Sociologia Rural, Economia e Ciências Biológicas.
 Países de origem e nº de participantes
Argélia (1), África do Sul (1), Angola (2), Benin (1), Botsuana (1), Burkina Faso (2), Cabo Verde (1), Camarões (1), Costa do Marfim (1), Egito (1), Eritréia (1), Gabão (1), Gana (4), Guiné Bissau (4), Mali (1), Marrocos (1), Mauritânia (2), Moçambique (3), Namíbia (1), Níger (1), São Tomé e Príncipe (1), Senegal (4), Sudão (3), República Democrática do Congo (3), Tanzânia (2), Tunísia (2), Uganda (2), Zimbábue (1).  Total: 28 países e 49 participantes.

Fonte: Embrapa Estudos e Capacitação


Polêmica no mercado de terras
Parecer da AGU que limita venda de imóveis para estrangeiros garante soberania nacional, mas pode suspender investimentos no setor de florestas plantadas

Segundo Abraf, o Brasil tem 6,3 milhões de hectares de florestas cultivadas com eucaliptus e pinus; um milhão dessa área pertencente a estrangeiros. A limitação da compra de terras por estrangeiros no Brasil, anunciada em agosto do ano passado em parecer da Advocacia Geral da União (AGU), gerou embate entre o órgão federal e empresas que cultivam florestas para produção de papel, celulose, madeira e carvão. Com grande participação do capital estrangeiro, o setor madeireiro defende que a imposição compromete novos investimentos em florestas e indústrias. A AGU, por outro lado, justifica a decisão pela necessidade de garantir a soberania nacional através de temas estratégicos como segurança alimentar, conservação do meio ambiente e política agrária.

Em Sapopema (Norte Pioneiro), produtores de eucalipto permanecem alheios à discussão. Investidores de uma cultura que tem cada vez mais demanda no mercado, eles comercializam o produto com os compradores que oferecem mais vantagens, sejam grandes empresas multinacionais ou madeireiras da região.

Domínio estrangeiro

César Augusto dos Reis, diretor executivo da Associação Brasileira de Florestas Plantadas (Abraf), informou que o Brasil tem 6,3 milhões de hectares (ha) de florestas cultivadas com eucaliptus e pinus, sendo um milhão dessa área pertencente a estrangeiros. Das 27 empresas associadas à entidade, 14 são brasileiras de capital estrangeiro, o que indica o domínio de outros países sobre o setor. No Paraná, são 870 mil ha de florestas para produção de madeira, papel e celulose, com 20% das terras sob propriedade de multinacionais. ''A Abraf apoia as medidas que visam a proteção da soberania nacional, mas é preciso levar em conta que as empresas são produtivas e agem com responsabilidade social. Fomos atingidos injustamente'', criticou Reis, lembrando que, após o parecer da AGU, houve paralisão de investimentos estrangeiros na ordem de R$ 37 bilhões em aquisição de terras e construção de unidades industriais. ''Sabemos que a intenção do parecer não era atingir o setor florestal. O próprio governo está tentando achar uma solução'', garantiu. Segundo ele, o País não tem poupança interna para investir em fábricas. ''O capital estrangeiro aplicado nas florestas gera divisas e empregos, não é um capital volátil.''
Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy, consultor-geral da União, explicou que o parecer da AGU confirma o previsto na Lei nº 5.709, de 7 de outubro de 1971, cujo conteúdo estabelece que a aquisição de imóvel rural por pessoa física estrangeira não poderá exceder a 50 módulos de exploração indefinida, em área contínua ou descontínua. ''O problema todo é que houve entendimento da AGU, no passado, de que algumas disposições da Lei não teriam sido recepcionadas pela Constituição de 1988'', afirmou.
O argumento que pauta a limitação é a possibilidade de a compra de terras por estrangeiros comprometer, em princípio, a política agrária brasileira, além de desestabilizar o modelo de segurança alimentar e ameaçar a concepção do regime nacional de proteção ambiental.

A questão, segundo ele, seria movida pela afirmação da soberania e pela função social da propriedade. ''Não se pode evidenciar função social em propriedade que possa comprometer nossa política agrária e que, de alguma forma, contrarie interesses públicos incontestáveis.'' Para a AGU, o parecer não interfere na exploração econômica de florestas plantadas para fabricação de madeira e papel. ''A intervenção é mínima, dado que situações jurídicas consolidadas e direitos adquiridos são, sempre, respeitados. Situações futuras deverão atender ao conteúdo do parecer'', esclareceu.

Carolina Avansini
Reportagem Local
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