sexta-feira, 15 de abril de 2011

Angus ganha espaço no Paraná

Ponto de abate mais cedo, carne de qualidade superior e garantia de liquidez maior da raça atraem pecuaristas

A cada ano, a raça Angus ganha mais espaço no Paraná. Suas características peculiares têm agradado não só o paladar do consumidor, mas também o pecuarista que usufrui do alto índice de liquidez. Nos últimos cinco anos, a Angus cresceu 192% no mercado de inseminação do País. Em 2010, a venda de sêmen da raça atingiu 1,8 milhão de doses, ocupando 30% do mercado total de sêmen de gado de corte do Brasil. A Angus é a principal raça criada nos países produtores de carne de qualidade, como Estados Unidos, Argentina, Austrália e Uruguai. Os animais entraram no Brasil em 1906, por meio de criadores gaúchos. Há aproximadamente três décadas, a raça começou a se espalhar pelo País, tanto com animais puros quanto os resultantes de cruzamentos industriais, estratégia que se fortaleceu nos últimos anos.

De acordo com Fábio Schuler Medeiros, médico veterinário do Programa Carne Angus, a fusão é interessante porque a raça tem uma característica de qualidade superior às demais e que agrega, tanto no cruzamento com os zebuínos quanto com os taurinos, uma melhora na terminação desses aninais. Eles chegam ao ponto de abate mais jovens, produzem carcaças mais gordas e têm maior deposição de gordura intramuscular - o chamado marmoreio -, que confere mais maciez à carne. Por essas características de qualidade de carne e por complementar tão bem o zebuíno e as raças taurinas continentais - o que acontece no Paraná -, a Angus hoje é a segunda raça bovina mais criada no Brasil, ficando atrás apenas da Nelore, que representa a maioria do rebanho nacional. ''Os 30% ocupados pela Angus no mercado de inseminação e o crescimento sustentado ao longo de tantos anos dão a segurança de afirmar que o produtor está tendo benefícios com a raça'', observa Medeiros. O Paraná, segundo ele, tem condições de clima, de solo e de alimentação perfeitos para a criação da raça.

Nas regiões quentes do Brasil predominam os zebus porque são animais resistentes ao calor e a parasitas, no entanto, eles são deficientes na qualidade da carne e deposição de gordura. O Angus entra no cruzamento com o zebu agregando, sobretudo, a facilidade de terminação dos animais e qualidade de carne.

Por ser proveniente da Europa, onde o clima é mais frio, a Angus tende a se adaptar a temperaturas mais amenas, enquanto o zebuíno, oriundo da Ásia, a ambientes mais quentes. ''Já temos registro de Angus em estados que têm temperaturas mais elevadas como o Pará, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Norte. Queremos mostrar que eles se adaptam a regiões mais quentes'', relata Flávio Montenegro Alves, criador da raça no Rio Grande do Sul e técnico da Associação Brasileira de Angus (ABA).
A fêmea meio sangue, segundo o médico veterinário Antônio Francisco Chaves Neves, técnico da Associação, é um excelente animal para a cria por ser mais precoce. ''Conseguimos emprenhá-la de seis a oito meses antes com uma matriz zebu e, consequentemente, adiantamos o bezerro que vai nascer na próxima geração. Economicamente é uma raça muito viável'', atesta.


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Soja traz lucro duas vezes maior em 2011

Produção recorde é vendida a preços altos e eleva margens em todo o Brasil

Com mercado favorável, agricultor fica no azul até mesmo em regiões onde houve quebra de safra. Com praticamente toda a soja colhida nos dois maiores produtores do país, Paraná e Mato Grosso, e boa parte da safra vendida, o agricultor vislumbra rentabilidade ampliada na temporada 2010/11. Em estados onde a safra foi cheia, como no Paraná, o resultado operacional da lavoura deve ser ao menos duas vezes maior que o obtido no ciclo anterior. “Esta vai ser a melhor safra brasileira de soja, não só em volume de produção, mas também em rentabilidade”, prevê Felipe Prince, analista da Agrosecurity. Na região de Londrina (Norte do Paraná), para cada real investido na lavoura, ao final do ciclo o produtor deve receber de volta R$ 1,75. A conta considera apenas os custos operacionais (desembolso), estimados em R$ 1.198 por hectare para a região. Despesas fixas como depreciação de máquinas e remuneração da terra não são incluídas no cálculo. Colhendo média de 52 sacas de soja por hectare e vendendo cada saca a R$ 40,10, o agricultor londrinense terá, ao final da temporada, lucro operacional de R$ 900, conforme a Agrosecurity. O valor representa um avanço de 128% sobre o resultado obtido na safra passada (R$ 395/ha).

Lucro ainda maior deve ser embolsado pelo produtor da região Oeste do Paraná. Em Medianeira, cada real investido na soja deve render ao agricultor R$ 1,90, revela o levantamento. Na região, cada hectare cultivado com a oleaginosa deve render em média R$ 1.100 neste ano, contra R$ 567 na temporada 2009/10. Para chegar a esse resultado, a consultoria considera um custo operacional de R$ 1.219/ha, rendimento de 53 sc/ha e preço médio de venda de R$ 44,40/sc. No Paraná, assim como no restante do país, desempenho operacional positivo da soja se explica não apenas pelo aumento da produção, mas também pela estratégia de comercialização adotada por cada agricultor, explica Prince. No geral, quem guardou a produção para vender mais tarde teve resultado melhor. “Por isso o produtor do Oeste do Paraná se saiu melhor do que o do Norte do estado neste ano.”
No final de setembro, quando os preços internacionais da soja começaram a subir com mais força, o agricultor londrinense havia vendido quase um terço da safra a preços mais baixos. Em Medianeira, menos de 5% da soja estava comprometida nesta época, compara o analista. Neste momento, as duas regiões têm, respectivamente, 20% e 34% da safra disponível à comercialização, segundo a Agrosecurity. Levantamento da consultoria mostra que as margens serão positivas em todas as praças brasileiras pesquisadas. Mesmo em regiões onde a produção foi prejudicada pelo excesso de chuva, a soja gera renda suficiente para pagar as contas e fechar o ciclo no azul. É o caso de São Gabriel do Oeste, em Mato Grosso do Sul. Mesmo com quebra de 30% na safra e rendimento reduzido a 33 sacas por hectares, cada real aplicado na lavoura retornará ao agricultor R$ 1,12, o equivalente a R$ 150 por hectare. A conta considera custo de R$ 1,231/ha e preço médio de R$ 40,65/sc.

Luana Gomes


Fórum Canal Rural na ExpoLondrina 2011 discute mudanças no código florestal
 
O deputado federal Reinhold Stephanes (PMDB/PR), ex-ministro da Agricultura, participa nesta sexta-feira (15), do fórum de debate "O Desafio de Produzir e Preservar", promovido pelo Canal Rural, em parceria com a Sociedade Rural do Paraná. O evento será realizado na ExpoLondrina 2011, no Recinto Milton Alcover, no Parque de Exposições Ney Braga, a partir das 10h, com transmissão ao vivo pelo Canal Rural. Os demais painelistas do Fórum Canal Rural serão o também deputado federal Abelardo Lupion (DEM-PR); Carlos Augusto Albuquerque, representante da Sociedade Rural do Paraná; e Luciana Lepri, promotora de Justiça e integrante da Liga Mundial dos Advogados Ambientalistas.
A apresentação estará a cargo do jornalista Irineu Guarnier Filho, âncora dos programas Bancada Rural e Rural Notícias. A discussão sobre as alterações no Código Florestal Brasileiro está sendo tratada na Câmara dos Deputados, desde o ano passado, e o projeto está na iminência de ir à votação. No último dia 5, milhares de agricultores foram a Brasília pedir a urgência da apreciação da matéria. Além da transmissão do fórum, o Canal Rural também realiza a cobertura completa da ExpoLondrina 2011, que começou no último dia 7 e vai até 17 de abril. A cobertura inclui reportagens e entradas ao vivo nos programas Bom Dia Campo, Rural Meio-Dia, Mercado & Cia, Rural Notícias, Rural Revista e Pecuári@TV.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Conab comercializa mais de 225 mil toneladas de milho e trigo
Operações de venda direta de milho e trigo serão realizadas nesta quarta-feira para regular o abastecimento e o preço dos produtos
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, faz oito operações de venda direta de estoques públicos, nesta quarta-feira, 13 de abril. Os leilões negociarão 225,2 mil toneladas de milho e trigo de diversos estados do país.No caso do milho, 55,1 mil t serão colocadas à venda. Desse total, 31,9 mil t provêm de Mato Grosso e 15,7 mil t têm origem em Goiás. Poderão participar dos leilões avicultores, suinocultores, bovinocultores (de leite e de corte), cooperativas de criadores de aves, de suínos e de bovinos (de leite e de corte), indústrias de ração para avicultura, suinocultura e bovinocultura, indústrias de insumo para ração animal e indústrias de alimentação humana à base de milho. Tais estabelecimentos devem estar cadastrados perante a bolsa por meio da qual pretendam realizar a operação, e estar em situação regular no Sistema de Registro e Controle de Inadimplentes da Conab (Sircoi).
Para o trigo, serão feitas três operações para comercializar 170,1 mil t – 20,4 mil t de Mato Grosso do Sul; 2,1 mil t de Minas Gerais; 30,8 mil t do Paraná; 67,3 mil t do Rio Grande do Sul; 15 mil t de Santa Catarina e 34,2 mil t de São Paulo. Safras distintas, a partir de 2007, serão leiloadas. As condições para participar são estar cadastrado na bolsa por meio da qual o interessado pretenda realizar a operação, e estar em situação regular no Sircoi.Desde o início do ano, foram feitos 13 leilões de venda direta de milho, com a negociação de 1,9 milhão de toneladas.  Qaunto ao trigo, a Conab realizará o primeiro leilão nesta quarta-feira.
Ana Rita Gondim
www.agricultura.gov.br


terça-feira, 12 de abril de 2011

Soja: produção recorde enfraquece cotações

Levantamentos do Cepea apontam que os preços da soja estão mais fracos, devido ao avanço da colheita no Brasil, à maior produtividade e à conseqüente produção recorde, e das condições climáticas favoráveis na América do Sul. Quanto à demanda, até se manteve firme, mas isso não foi suficiente para sustentar as cotações. Entre 1º e 8 de abril, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa para o produto transferido no porto de Paranaguá caiu 1,74%, finalizando a US$ 29,86/sc de 60 kg, na sexta-feira, 8.
Em moeda nacional, o Indicador caiu 4,06% no mesmo período, fechando a R$ 47,00/sc. O Indicador CEPEA/ESALQ (média de cinco regiões do Paraná) caiu 2,93%, fechando a R$ 44,67/sc na sexta. Em relação à safra 2010/11, dados da Conab divulgados na semana passada apontam recordes no cultivo de soja no Brasil. Os números da área e de produtividade foram ligeiramente ajustados para cima em relação ao relatório anterior, atingindo 24,2 milhões de hectares e praticamente três toneladas por hectare, respectivamente. Dessa forma, a produção deve registrar volume recorde de 72,2 milhões de toneladas.
(Fonte: Cepea – www.cepea.esalq.usp.br )

Safrinha de risco e preço elevados

Indicador da Expedição Safra mostra que produtor resolveu ampliar plantio apesar do risco de geada precoce no Paraná e de seca em Mato Grosso

Motivados pelos preços em alta e pelas perspectivas favoráveis, os produtores brasileiros passaram por cima do risco climático e elevaram suas apostas no milho safrinha neste ano. Com aumento de 5% na área de cultivo, o cereal ocupa 5,53 milhões de hectares no Brasil neste inverno, apurou a Expedição Safra Gazeta do Povo. A ameaça do La Niña, que permeou todo o ciclo produtivo de verão, mas não se confirmou, retorna no inverno, afirmam os meteorologistas. No Paraná, expõe as lavouras ao risco de geadas precoces. Em Mato Grosso, os mapas climáticos indicam que o perigo é a falta de chuvas. Mas, como contam com a proteção do mercado, os produtores não se mostram muito incomodados. Depois de perder terreno considerável para a soja nos últimos verões, o milho volta com força e ganha espaço como opção de segunda safra em praticamente todo o cinturão de produção. Só não avança em Mato Grosso porque enfrenta forte competição com o algodão e houve atraso na colheita da soja. O Paraná lidera o avanço, com incremento de 19% no plantio. No maior produtor nacional, as lavouras de milho safrinha se estendem por 1,6 milhão de hectares, quase o dobro da área destinada ao cereal no último verão.

“O preço está muito bom. Não poderia deixar de plantar”, diz o produtor José Roberto Mortari. Na propriedade que mantém em Londrina (Norte do estado), ele aumentou em cerca de 70% a área destinada ao milho safrinha, que passou a ocupar 120 hectares. Os preços em alta adubam a produção não só onde o milho safrinha está consolidado, como nos líderes Paraná e Mato Grosso, mas também em estados que até alguns anos atrás não tinham tradição alguma na cultura. É o caso do Piauí, uma das mais novas e promissoras fronteiras agrícolas brasileiras. Os produtores piauienses, que alguns anos atrás sequer plantavam milho de verão, há dois anos começaram a investir no cereal de segunda safra, que lá é plantado mais cedo do que no Centro-Sul do país.
Quando passaram pelo estado, em fevereiro, os técnicos e jornalistas da Expedição encontraram agricultores correndo contra o tempo para tirar a soja do campo e largar as sementes de milho no solo. A experiência é nova na região, mas vem ganhando adeptos a cada ano. Celso Werner, um dos pioneiros da safra dupla no distrito de Nova Santa Rosa, município de Uruçuí, contou à equipe que tirou da lavoura 4,8 mil quilos de milho por hectare no inverno de 2010. Satisfeito com o resultado, reservou 550 hectares ao cereal de segunda safra neste ano e espera repetir o bom desempenho em junho, quando iniciará a colheita.

Muito mais do que pelo clima, apostas como a de Werner são incentivadas pelo mercado, que sustenta tendência positiva desde o segundo semestre do ano passado e deve manter-se em alta nos próximos meses. Ainda sob influência do fenômeno climático La Niña, o inverno de 2011 será de risco elevado para uma cultura já tradicionalmente arriscada, observa o agrônomo Robson Mafioletti, assessor técnico-econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Com redução de 4,4% na produtividade média brasileira, a segunda safra de milho do país tem potencial para superar a marca de 22 milhões de hectares, resultado ligeiramente acima do obtido em 2010, mostra levantamento da Expedição. “O risco é inerente ao safrinha e o atraso no plantio não deve afetar o volume de produção. A estimativa preliminar, que já considera a possibilidade de quebra climática devido ao La Niña, aponta para outra safra muito boa de milho de inverno”, pontua Mafioletti. “No ano passado, parou de chover no dia 6 de abril. Se este ano for igual, metade da safra vai ser perdida. Mas não parece que isso vai acontecer, pois já estamos quase na metade do mês e ainda há previsão de chuva”, diz o produtor Jaime Coradini, de Primavera do Leste (Sul de Mato Grosso). Para se proteger contra o clima e cobrir seus custos de produção, ele aproveitou ofertas de compra a preços 95% acima dos praticados nesta mesma época de 2010. “Não vendi mais porque ainda não dá para saber quanto vou colher”, explica.

“Os preços estão bons. Mas no milho a gente nunca se empolga muito porque o mercado oscila demais”, avalia Eduardo Godói, de Sapezal (Oeste mato-grossense). Com 30% da safra vendida ainda na época do plantio, ele se diz otimista com os resultados no campo. “O clima está excelente, chovendo toda noite e com sol durante o dia, do jeito que a lavoura gosta. Melhor do que o ano passado já dá para dizer que vai ser”, prevê.