quinta-feira, 7 de julho de 2011

Agronegócio perde R$ 1,2 bilhão
Prejuízo da geada e da seca chega a 34% no milho e a 8% no trigo. Renda anual do setor deve ser reduzida em 4,5% pelo impacto também nas pastagens, cafezais e outros cultivos
 As duas geadas da semana passada e a estiagem de maio provocaram estrago avaliado em R$ 1,2 bilhão no milho e no trigo no Paraná, conforme levantamento divulgado ontem pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Os dados não incluem as geadas desta semana e são preliminares (podem ter ajustes). Se consideradas todas as culturas, as perdas, concentradas nas regiões Oeste e Norte, podem passar de R$ 2 bilhões, avaliam técnicos e produtores. O maior prejuízo foi verificado no milho. As cotações em alta estimularam aumento de 27% no plantio, que somou 1,7 milhão de hectares. Mas a previsão de colheita teve de ser reduzida de 8,12 milhões para 5,31 milhões de toneladas, com perda de 34,6% – sendo 8,4 pontos atribuídos à falta de chuva e 26,2 à geada. A diferença é de 2,81 milhões de toneladas ou 46,8 milhões de sacas, que poderiam render R$ 1,11 bilhão aos produtores.
O trigo paranaense, que teve área reduzida em 12% (para 1,02 milhão de hectares), renderia 2,86 milhões de toneladas, mas deve se limitar a 2,61 milhões. Houve quebra de 8,7%. São 2 pontos da seca e o restante das geadas. As 250 mil toneladas que deixarão de ser colhidas poderiam render R$ 111 milhões, estima o Deral. Desde que a notícia da quebra provocada pelas geadas se espalhou, há uma semana, as cotações subiram 0,74% e 1,37%, respectivamente, no estado. O milho estava cotado ontem a R$ 23,94 (saca de 60 quilos), valor 83% superior ao de julho do ano passado, enquanto o trigo alcançava R$ 26,73, com alta de 20,25% em um ano.
“O principal problema foram as geadas dos dias 27 e 28 de junho. Nesta semana, as ocorrências têm sido mais fracas e, por enquanto, não temos relatos de perdas expressivas”, disse o economista do Deral Marcelo Garrido. As geadas atingiram ainda pastagens, cafezais, hortas, pomares e mandiocais. Se chegarem a R$ 2 bilhões, vão representar um rombo de 4,5% sobre a renda total do setor, isso tomando como referência o Valor Bruto da Produção (VBP) de 2010 (R$ 44,1 bilhões), que foi recorde. Conforme a Seab, trata-se da maior perda desde 2000/01, quando o frio comprometeu mais da metade da produção de milho. A última quebra ocorreu em 2007/08 e foi de 15,1%. O clima vinha favorecendo a produção desde o início da safra 2010/11. A quebra ocorre após um período de otimismo e bons resultados em relação à produção e aos preços, avaliou o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara. Ele acredita que a indústria da carne pode ter de importar milho neste ano.
Os produtores correm o risco de ficar sem milho para honrar as vendas antecipadas. Jurandir Alexandre Lamb, que tem 170 hectares plantados em Toledo (Sudoeste), estima que a produção vai render 25% do potencial de 6,5 t/ha, justamente a proporção que ele precisa para cumprir seus compromissos contratuais. “Parte da safra foi vendida por contrato de opção (pelo qual o produtor opta por entregar o produto ou pagar uma espécie de multa) e outra parte com exigência de entrega. Preciso colher o que for possível para cumprir todas as vendas.” Lamb pondera que as perdas só serão conhecidas com exatidão em agosto. A seca atrasou o desenvolvimento do cereal, que ficou mais tempo frágil para a ocorrência de geadas. “É a natureza, não há o que fazer”, lamenta. No trigo, ocorre o inverso: quanto mais adiantada a plantação, maior o prejuízo. Mesmo assim, nos Campos Gerais, onde a lavoura tem apenas entre 30 e 40 dias, as perdas se aproximam de 10%, afirma o triticultor Willem Bauwman, de Castro, que planta o cereal em 1 mil hectares. “Uma geada fraca seria até positiva para a formação de cachos. O problema é que a temperatura chegou a 4 graus negativos dia 28”, relata.
José Rocher
Gazeta do povo 

Conab divulga levantamento desatualizado
Folhapress
Sem considerar as perdas provocadas pelas geadas há uma semana, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou ontem que a safra 2010/11 será 8,6% maior que a da temporada anterior. Com base em consulta realizada três semanas atrás, o relatório diz que a produção brasileira de grãos vai atingir 162 milhões de toneladas. A Conab considera que a área plantada das 14 principais culturas teve crescimento de 4,4%, passando de 47,4 milhões para 49,5 milhões de hectares. Os principais responsáveis pelo resultado foram soja, milho, algodão, feijão e arroz. O algodão teve o maior crescimento (66,4%), alcançando 1,39 milhão de hectares. A produção total deve chegar a 2 milhões de toneladas de pluma. A produção de soja deve se confirmar como a maior da história: 75 milhões de toneladas. Isso representa uma alta de 9,2% em comparação com a safra 2009/2010. A área plantada da oleaginosa também cresceu: 2,9%, chegando a 24,1 milhões de hectares. Para o milho, a Conab mantém previsão de 57,1 milhões de toneladas, que somam as safras de inverno e verão. Para o trigo, calcula-se queda de 7,3% – para 5,4 milhões de toneladas – por causa da seca de maio e da redução de 3,3% na área plantada (para 2 milhões de hectares).

Rússia dará resposta sobre embargo a frigoríficos brasileiros em 15 dias
Brasília – O Serviço Federal de Fiscalização Veterinária e Fitossanitária da Rússia (Rosselkhoznadzor) pediu 15 dias para se manifestar sobre a última negociação para acabar com o embargo às exportações de carne de 85 frigoríficos do Paraná, Rio Grande do Sul e de Mato Grosso. Desde segunda-feira (4), missão brasileira comandada pelo secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Francisco Jardim, manteve, em Moscou, reuniões com autoridades russas para tentar reverter a situação de embargo, em vigor desde 15 de junho. “O Brasil respondeu a todos os questionamentos e os russos, de posse das informações, pediram 15 dias para nos dar um retorno”, informou o Ministério da Agricultura.
No final da semana passada, o ministro Wagner Rossi já havia adiantado que, dos 210 frigoríficos nacionais habilitados a exportar para a Rússia antes do início dos embargos, apenas 140 estariam na lista entregue pelos representantes do governo brasileiro ao Rosselkhoznadzor. Os demais terão que se adaptar às exigências. Na ocasião, Rossi criticou a má qualidade das traduções, para o idioma russo, dos documentos encaminhados pelo Brasil. Segundo o ministro, os erros de tradução foram objeto de uma reclamação pessoal endereçada a ele pelo diretor do Rosselkhoznadzor, Sergey Dankvert. As falhas de tradução podem ter atrasado a avaliação das respostas brasileiras aos questionamentos da autoridade russa.
Agência Brasil
Danilo Macedo
Soja: Conab reafirma em seu novo levantamento recorde em MT
Produção mato-grossense chega a 20,41 milhões de toneladas
O 10º levantamento de safra, divulgado nesa quarta-feira (6) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), aponta uma produção de 20,41 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso, novo recorde. O incremento será de 8,76%, considerando os números da safra 09/10, que chegou a 18,76 milhões de toneladas. Já a área plantada apresenta expansão de 2,79%, passando de 6,22 milhões de hectares para 6,39 milhões de hectares. A produtividade também terá crescimento (5,80%), saltando de 3,01 mil quilos de soja por hectare, no ano passado, para 3,19 mil Kg/ha, este ano.
A soja continua na vanguarda do agronegócio mato-grossense, mas na safra 10/11 o destaque ficou por conta do algodão, com crescimento de 77,20% em relação ao ciclo anterior. A produção passa de 583,5 mil toneladas para 1,03 milhão/t de pluma, mantendo Mato Grosso na liderança da produção nacional, com mais de 50% de toda a safra brasileira de algodão. A área plantada avançou de 428,1 mil/ha para 714,9,1 mil/ha, incremento de 66,99%. Segundo a Conab, este crescimento ocorreu principalmente no plantio de primeira safra, consequência do atraso do plantio da soja, ocasionado pela falta de chuva que reduziu a janela de plantio para o cultivo da segunda safra. A produtividade apresenta crescimento de 6,16%, avançando de 1,36 mil Kg/ha na safra 09/10 para 1,44 mil Kg/ha na atual safra.
Destaque no ano passado, o milho confirmará produção de 7,41 milhões de toneladas, queda de 8,69% em relação ao ciclo anterior (8,11 milhões de toneladas). A área apresenta recuo de 5,98%, caindo de 1,99 mil/ha para 1,87 mil/ha. Na safra 10/11, a safrinha de milho começou a ser semeada no início de janeiro, concorrendo com o algodão segunda safra. Já a produtividade caiu de 4,07 mil Kg/ha para 3,96 Kg/ha, recuo de 2,92%. A produção de arroz deverá crescer 5,83%, passando de 742,7 mil/t para 786 mil/t. A área evoluiu de 246,9 mil/ha para 252,8 mil/ha, expansão de 2,39% e a produtividade aumentou de 3 mil Kg//há para 3,10 mil Kg/ha, incremento de 3,35%.
De acordo com a Conab, no mês de junho as precipitações ocorreram próximas da média histórica nas principais regiões produtoras do Centro-Sul. Já na maior parte do Mato Grosso, apesar de ligeiramente acima da média, as precipitações foram insuficientes para recuperar a umidade disponível no solo e amenizar as perdas do milho segunda safra plantado mais tarde. (Veja quadro)
DESTAQUE - O maior incremento de área foi constatado na região Centro-Oeste, que participa com 64% no total da área plantada. Nessa região, o incremento foi na ordem de 68,6%. Em Mato Grosso, principal produtor nacional, o crescimento na área ocorre principalmente no plantio de primeira safra, consequência do retardamento do plantio da soja, ocasionado pela falta de chuva, reduzindo desta forma, a janela de plantio para o cultivo do algodão segunda safra.
Marcondes Maciel
Diário de Cuiabá

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Valor Bruto da Produção supera as expectativas no Paraná
O VBP agrícola de 2010 superou as expectativas iniciais e deve alcançar o valor recorde de R$ 44,1 bilhões. Esse resultado é uma versão preliminar divulgada na terça-feira (05) pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento e representa o melhor resultado dos últimos 10 anos, superando inclusive o recorde de R$ 41,4 bilhões atingido em 2008, ano em que os preços estiveram satisfatórios para a maioria dos produtos agrícolas. Se for confirmado esse valor, o VBP de 2010 representará um crescimento de 17% em relação a 2009, impulsionado pelos avanços da tecnologia empregada, que resultaram no aumento de produtividade da produção agropecuária paranaense.
Para o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, o aumento do VBP em 2010 evidencia o não atrelamento da agropecuária paranaense em relação ao câmbio. Segundo ele, apesar da forte influência das exportações sobre o setor, o fato é que o mercado interno vem crescendo e equilibrando parcialmente a oferta e os preços.
GRÃOS – De acordo com o levantamento feito pela Divisão de Estatística do Departamento de Economia Rural (Deral), a agricultura ainda é o setor de maior representatividade no Estado, alcançando um faturamento bruto de R$ 13,3 bilhões entre as produções de soja, milho e trigo. A produção de soja, que aumentou em torno de 50% em relação a 2009, gerou uma renda bruta de R$ 8,1 bilhões aos produtores, volume 13% acima do faturamento da safra anterior. Com o aumento na produção a renda obtida poderia até ser maior, mas ficou limitada em função dos preços praticados no ano passado, que foram em torno de 25% inferiores aos do ano anterior. Somando as duas safras de milho cultivadas no Paraná, o faturamento bruto foi de R$ 3,7 bilhões, 23% acima da comercialização da safra anterior. O aumento no faturamento ocorreu mais em função do incremento de 20% na oferta de milho do que pela valorização nos preços do grão, que ocorreu quando praticamente toda a safra estava vendida.
Ainda na safra de grãos, a comercialização do trigo gerou faturamento 31% acima do ano anterior, alcançando uma renda de R$ 1,5 bilhão para os produtores. Embora os preços tenham permanecido estáveis, o aumento na renda ocorreu por causa da manutenção da área plantada e da recuperação da produção de trigo, que registrou perdas na safra anterior por causa da seca ocorrida no Estado em 2009.
PECUÁRIA – A pecuária vem proporcionando gradativamente mais renda aos produtores paranaenses, numa demonstração de que a agregação de valor à produção é a alternativa para o esgotamento das fronteiras agrícolas. O faturamento da pecuária alcançou R$ 12,9 bilhões, cerca de R$ 1,1 bilhão a mais do que o registrado em 2009. A produção de carne bovina teve desempenho positivo, com um faturamento de R$ 2,2 bilhões, volume 18% acima do ano anterior. O setor foi beneficiado pela elevação de 11% no número de abates e no aumento de 6% nos preços da carne bovina em relação a 2009.
Desempenho semelhante teve a produção de leite, que proporcionou uma renda de R$ 2,6 bilhões aos produtores, volume 7% acima do ano anterior. A bovinocultura de leite continua crescendo no Estado, com um incremento de 3% na produção em 2010. Os preços pagos ao produtor também foram mais remuneradores e ficaram 4% acima dos praticados em 2009.
A renda da avicultura caiu 9% por causa da queda de preços no mercado interno e manutenção da oferta, mas gerou uma renda de R$ 5,1 bilhões, volume que manteve a estabilidade do setor. A renda gerada pelo setor de criação de frango para engorda foi melhor e aumentou 52% em relação ao ano anterior, por causa do aumento na procura e, consequentemente, nos preços desses animais. A suinocultura continua sendo pautada pela instabilidade. Após forte retração nos preços ocorrida em 2009, eles voltaram a subir em 2010, gerando uma renda de R$ 1,6 bilhão aos produtores. A recuperação nos preços em torno de 18% e o crescimento de 3% no número de animais abatidos resultaram no aumento de 21% no faturamento do setor.
MADEIRA E CANA-DE-AÇÚCAR – O setor madeireiro no Paraná, representado pelas serrarias e laminadoras, também teve resultados satisfatórios em função da valorização de 4% nos preços da madeira, que gerou um incremento no corte de toras. Com isso houve um aumento de 9% na renda e o faturamento atingiu R$ 2,1 bilhões.
A cana-de-açúcar, embora tenha registrado um recuo de 3% na produção em 2010, teve um aumento de 9% na renda em função do aquecimento dos preços do açúcar no mercado internacional. Os produtores receberam um aumento médio de 12% pela tonelada de cana e o faturamento do setor atingiu R$ 1,8 bilhão.
FPM – Está é a primeira versão do Valor Bruto da Produção 2010. O índice final do VBP é um dos componentes do Fundo de Participação dos Municípios, que é um recurso repassado pelo governo estadual às prefeituras. O resultado final do VBP de 2010, correspondente ao desempenho da safra 2009/10, pesquisado no decorrer da comercialização em 2011, passa a valer para efeito de repasse do FPM em 2012, ou seja, sempre dois anos após concluída e vendida a safra.
Agência Estadual de Notícias - Paraná
Em junho, IBGE prevê safra de grãos 8,0% maior que safra recorde de 2010
A safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas indica produção da ordem de 161,5 milhões de toneladas, superior em 8,0% à safra recorde obtida em 2010 (149,6 milhões de toneladas). É o que indica a sexta estimativa do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) em 2011. A área a ser colhida em 2011, de 49,0 milhões de hectares, apresenta acréscimo de 5,3%, frente à área colhida em 2010. As três principais culturas (o arroz, o milho e a soja), que somadas representam 90,5% do volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas, respondem por 82,4% da área a ser colhida registrando, em relação ao ano anterior, variações de 1,5%, 5,3% e 3,4%, respectivamente. Quanto à produção os acréscimos são, nessa ordem, de 18,1%, 3,2% e 9,3%.
A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/agropecuaria/lspa.
Entre as grandes regiões, esse volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresenta a seguinte distribuição: região Sul, 68,1 milhões de toneladas; Centro-Oeste, 55,8 milhões de toneladas; Sudeste, 17,1 milhões de toneladas; Nordeste, 16,2 milhões de toneladas e Norte, 4,3 milhões de toneladas. Comparativamente ao ano anterior, são constatados incrementos em todas as regiões: Norte, 8,0%, Nordeste, 37,1%, Sudeste, 0,3%, Centro-Oeste, 6,3% e Sul, 6,0%. O Paraná, nessa avaliação para 2011, mantém a liderança na produção nacional de grãos, com participação de 20,5%, seguido pelo Mato Grosso com 19,3% e Rio Grande do Sul com 17,7%.
Estimativa de junho em relação à produção obtida em 2010
Dentre os vinte e cinco produtos selecionados, dezessete apresentam variação positiva na estimativa de produção em relação ao ano anterior: algodão herbáceo em caroço (76,7%), amendoim em casca 1ª safra (25,5%), arroz em casca (18,1%), batata-inglesa 1ª safra (13,4%), batata-inglesa 2ª safra (2,2%), batata-inglesa 3ª safra (1,4%), cacau em amêndoa (4,2%), cevada em grão (8,1%), feijão em grão 1ª safra (30,3%), feijão em grão 2ª safra (15,1%), mamona em baga (47,0%), mandioca (8,2%), milho em grão 1ª safra (2,6%), milho em grão 2ª safra (3,9%), soja em grão (9,3%), sorgo em grão (21,5%) e triticale em grão (23,7%). Com variação negativa: amendoim em casca 2ª safra (11,2%), aveia em grão (-4,9%), café em grão (8,4%), cana-de-açúcar (5,1%), cebola (7,1%), feijão em grão 3ª safra (8,0%), laranja (1,8%) e trigo em grão (11,8%). São recordes em 2011 as produções de algodão herbáceo em caroço, arroz em casca, batata-inglesa 1ª safra, batata-inglesa 2ª safra, cacau em amêndoa, feijão em grão 1ª safra, milho em grão 2ª safra e soja em grão.
Destaques na estimativa de junho em relação a maio
ALGODÃO HERBÁCEO (em caroço) – A produção esperada é da ordem de 5,2 milhões de toneladas, 1,3% maior que a apontada em maio. O aumento reflete a alteração na área plantada, que registra neste levantamento também idêntica variação percentual, haja vista a estabilidade no rendimento médio que foi de 3.760 kg/ha contra os 3.761 kg/ha informados anteriormente. O estado do Mato Grosso, com produção prevista de 2,7 milhões de toneladas suplantando o recorde de 2007 (2,2 milhões de toneladas), e o estado da Bahia, com 1,5 milhão de toneladas também superando o recorde de 2008 (1,2 milhão de toneladas), somam 80,7% da produção nacional e não promoveram alterações nas estimativas. Os ganhos de produção deste mês ocorreram, notadamente, nas Unidades da Federação com menor participação percentual, com destaque para o Mato Grosso do Sul (4,4%) e Goiás (7,5%).

CAFÉ (em grão) – Acentua-se neste mês a tendência de queda do rendimento médio e da produção, previsível para um ano em que a bianualidade do cafeeiro está em seu ciclo de baixa. Neste levantamento a estimativa da produção nacional apresenta decréscimo de 0,7% em relação a maio. O rendimento médio também mostra redução de 0,7%. Minas Gerais, o maior produtor brasileiro de café, apresenta decréscimo de 0,2% na produção esperada, quando comparada com a informação anterior, que totaliza 1.332.028 toneladas (22,2 milhões de sacas de 60 kg), considerando as duas espécies em conjunto (arábica e canephora), o que representa 50,6% do total esperado para o País. A área a ser colhida está reavaliada em 1.024.033 hectares. O rendimento, característico de um ano de “baixa”, decresce 0,2% em relação a maio. Percebe-se que a bianualidade vem diminuindo ao longo dos anos em virtude da ausência de geadas, que sempre “nivelavam” as lavouras, e também devido ao manejo diferenciado de talhões dentro das propriedades, com práticas de adensamento, plantio de variedades mais tolerantes à ferrugem, podas, entre outros. O Espírito Santo, segundo maior produtor de café, repete as informações do mês de maio. O estado apresenta predominância da espécie canephora (conilon e clones). O café conilon tem a condição de bianualidade totalmente anulada pela irrigação, indispensável no norte do estado, devido às condições de calor excessivo e baixos índices pluviométricos normalmente verificadas na região. Como as condições meteorológicas foram francamente favoráveis em 2011, a produção total do estado (arábica e conilon) está estimada em 686.301 toneladas (11,4 milhões de sacas), um bom resultado, fruto do aumento da área e do rendimento médio de 23,2 sacas/hectare, o maior do país (consideradas as médias de rendimento das duas espécies em conjunto). O estado de São Paulo informa decréscimo de 3,1% no rendimento médio e 2,5% na produção esperada.

FEIJÃO (em grão) – A produção nacional, considerando as três safras, está avaliada em 3.807.527 toneladas, inferior 0,2% a do mês anterior. Comparativamente, a produção do feijão 1ª safra registrou decréscimo de 1,5%, enquanto os feijões de 2ª e 3ª safras registraram acréscimos de 1,3% e 1,1%, respectivamente. A queda na produção do feijão 1ª safra, neste levantamento de junho decorre, principalmente, das reavaliações nos dados do Piauí (-18,4%), Rio Grande do Norte (-10,5%) e Pernambuco (-33,3%) efetuadas devido aos prejuízos causados pelo excesso de chuvas. No que se refere à segunda safra do produto, o aumento na produção, em relação ao mês anterior, deve-se, principalmente, às revisões nas informações realizadas em todas as regiões. Para a terceira safra de feijão, o incremento na produção é resultado das modificações nos dados de Minas Gerais (3,7%), onde foram identificados novos plantios no Noroeste e Alto Paranaíba, assim como no estado de Goiás (4,6%).
MILHO (em grão) – A produção nacional, para ambas as safras, totaliza 57,8 milhões de toneladas, variação negativa de 0,7% frente a maio. A 1ª safra de milho deverá alcançar 34,0 milhões de toneladas, apresentando um aumento de 0,2%, comparativamente à estimativa anterior. Este ganho decorre de uma revisão positiva no rendimento (0,6%), haja vista a retração de 0,4% na área a ser colhida. A participação na produção nacional, segundo as três maiores regiões produtoras, apresenta a seguinte distribuição: Sul (44,5%), Sudeste (27,9%) e Nordeste (13,5%). A região Sul registra aumento de 0,5% na produção, devido à revisão positiva de 1,2% na produção do Paraná, onde o produto já se encontra colhido. Para o milho 2ª safra, estima-se uma produção de 23,9 milhões de toneladas, 2,0% inferior a anteriormente divulgada. Nesta 2ª safra, destacam-se as regiões Centro-Oeste com 57,1% de participação nacional e Sul com 31,2%. O decréscimo deve-se, notadamente, a Goiás, onde a estimativa atual de 2.938.693 toneladas encontra-se decrescida em 15,7%. Nesse estado, em virtude da longa estiagem, houve revisão no rendimento que passou de 6.100 kg/hectare para 5.127 kg/hectare (-16,0%). O Paraná, único representante para essa safra do produto na região Sul, teve sua produção acrescida em 0,2%. Salienta-se que o atual levantamento não avaliou os possíveis prejuízos causados pelas geadas dos dias 27 e 28 de junho, ocorridas nesse estado, o que deverá ser realizado nas próximas pesquisas de campo.
SOJA (em grão) – A produção recorde esperada de 74,9 milhões de toneladas cresce 0,8% quando confrontada com a informação de maio. Destacam-se os incrementos na produção verificados nas regiões Norte e Sudeste, com variações de 7,4% e 6,1%, respectivamente. Vale destacar que no Centro-Oeste, responsável por 45,2% da produção nacional, houve aumento de 0,6% na produção devido a ajustes de revisão efetuadas no Mato Grosso do Sul (1,8%) e Goiás (1,3%), onde a cultura já se encontra colhida.

CEREAIS DE INVERNO (em grão) – Para as lavouras de inverno, cujos cultivos concentram-se, predominantemente, nos estados do sul do país, verificam-se diminuições nos dados de produção da aveia (2,4%), trigo (1,0%) e triticale (2,0%). Para o trigo, a mais importante dessas culturas, a produção esperada de 5,3 milhões de toneladas é 1,0% inferior a informação do mês passado. Essa retração é reflexo, principalmente, do Paraná, com participação de 52,6% na produção nacional, que mesmo tendo acrescido 0,3% da área plantada, teve sua produção reduzida em 1,5%, em face da revisão negativa no rendimento médio (-1,8%) devido à estiagem verificada em maio. Salienta-se ainda que não estão computadas, neste levantamento, possíveis perdas com as geadas dos dias 27 e 28 de junho, que podem ter afetado as lavouras que se encontravam nos estágios susceptíveis às baixas temperaturas (floração e frutificação).
O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) é uma pesquisa mensal de previsão e acompanhamento das safras dos principais produtos agrícolas, cujas informações são obtidas por intermédio das Comissões Municipais (COMEA) e/ou Regionais (COREA); consolidadas em nível estadual pelos Grupos de Coordenação de Estatísticas Agropecuárias (GCEA) e posteriormente, avaliadas, em nível nacional, pela Comissão Especial de Planejamento Controle e Avaliação das Estatísticas Agropecuárias (CEPAGRO) constituída por representantes do IBGE e do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (MAPA). Em atenção a demandas dos usuários de informação de safra, os levantamentos para Cereais, Leguminosas e Oleaginosas (caroço de algodão, amendoim, arroz, feijão, mamona, milho, soja, aveia, centeio, cevada, girassol, sorgo, trigo e triticale) foram realizados em estreita colaboração com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), continuando um processo de harmonização das estimativas oficiais de safra, iniciado em outubro de 2007, para as principais lavouras brasileiras.
IBGE
Exportações de carne suína, em junho, surpreendem
As exportações de carne suína, em junho, revelaram um resultado surpreendente: um crescimento de 12,35% em volume, em relação a igual mês de 2010. O faturamento também aumentou (29,65%) no período, o que se explica pela elevação do preço médio da carne suína de 15,39%, em junho, na comparação com o preço obtido em junho de 2010. As vendas externas aumentaram, apesar do embargo russo iniciado em 15 de junho, depois do anúncio feito pela autoridade sanitária da Rússia, Rosselkhoznadzor, no dia 2 do mês passado. O anúncio de possível embargo, nessa data, levou importadores e exportadores a anteciparem negócios e embarques na primeira quinzena do mês, em nível superior ao que todos haviam imaginado, explica Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína – ABIPECS.
Em junho, as vendas para a Rússia totalizaram 24.664 toneladas e US$ 77,85 milhões, um aumento de 19,59% em volume e 36,01% em valor, em relação a junho de 2010. Foram as compras russas que garantiram o bom desempenho das exportações de carne suína no mês. Missão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA liderada pelo secretário de Defesa Agropecuária, Francisco Jardim, e pelos diretores Luiz Carlos de Oliveira, do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal – DIPOA, e Guilherme Marques, do Departamento de Saúde Animal – DAS, esteve em Moscou, nesta semana, para reuniões na Rosselkhoznadzor.
“A ABIPECS continua otimista, pois espera para breve a reabertura do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso e a aprovação de nova lista de estabelecimentos certificados dentro dos critérios mais rigorosos da autoridade sanitária russa”, afirma Pedro de Camargo Neto. Aumento nas vendas para Hong Kong e Argentina - As vendas para Hong Kong, segundo maior comprador, atingiram 9.695 toneladas e US$ 24,12 milhões, um aumento de 8,64% em volume e 30,10% em valor, na comparação com junho de 2010.Para a Argentina, terceiro principal mercado, os embarques foram de 2.473 toneladas, e o faturamento atingiu US$ 7,36 milhões, uma elevação de 27% em volume e de 33,57% em valor. As exportações para a Ucrânia, em junho, caíram 23,72% em volume (3.205 t, em relação a 4.202 t em junho de 2010) e 10,52% em valor (US$ 10 milhões).
VEJA ESTATÍSTICAS
Reabertura da África do Sul - A reabertura do mercado da África do Sul foi excelente notícia. No dia 29 de junho, ao saber da novidade, o presidente da ABIPECS distribuiu nota à imprensa informando que a medida “corrige irregularidade, totalmente em desacordo com as regras de comércio internacional amparadas pelo Acordo sobre as Medidas Sanitárias e
Fitossanitárias da Organização Mundial do Comércio (OMC), que causou sérios prejuízos à suinocultura desde outubro de 2005”.
Japão - O Japão confirmou o envio de missão veterinária na segunda quinzena de agosto. Após dois anos de intensa troca de informações, o estado de Santa Catarina deve ser visitado, criando importante expectativa de abertura do maior mercado importador do mundo, conclui Pedro de Camargo Neto.
As informações são da assessoria de imprensa da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína – ABIPECS.